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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Rodrigo Amarante faz a América na banda de Devendra Banhart
Com suas duas bandas em recesso - o Los Hermanos por tempo indeterminado e o Little Joy por força das circunstâncias que obrigam Fabrizio Moretti a se dedicar aos Strokes -, o ruivo segue sua carreira internacional, agora como membro da banda de Devendra Banhart, tocando guitarra. O músico que lhe abriu as portas da América, ao convidá-lo a participar das gravações de Smokey Rolls Down Thunder Canyon, em 2007, acaba de lançar What Will We Be e está com a agenda de shows cheia.
Em abril, Devendra e banda tocaram em um dos palcos alternativos do festival de Coachella, na California, e desde então vêm se apresentando no Estados Unidos, onde permanecem divulgando o novo disco até o fim de novembro. Em seguida, seguem para a Europa.
What Will We Be, cuja capa é esta aí em cima, também conta com a colaboração de Amarante. São claros os ecos do Little Joy, com seus temas ensolarados e saudosistas, já o Los Hermanos parece estar mesmo relegado ao limbo.
Abaixo, alguns momentos de Devendra e Amarante juntos no palco.
No Coachella, Amarante e sua camiseta estampada com o rosto do poeta Paulo Leminski.
Tocando "Baby", do disco novo (nada a ver com a canção de Caetano Veloso, referência fundamental de Devendra, como o próprio já declarou várias vezes).
Amarante ataca de percussionista lembrando dos tempos de Orquestra Imperial.
Nas ruas de San Diego.
Em abril, Devendra e banda tocaram em um dos palcos alternativos do festival de Coachella, na California, e desde então vêm se apresentando no Estados Unidos, onde permanecem divulgando o novo disco até o fim de novembro. Em seguida, seguem para a Europa.
What Will We Be, cuja capa é esta aí em cima, também conta com a colaboração de Amarante. São claros os ecos do Little Joy, com seus temas ensolarados e saudosistas, já o Los Hermanos parece estar mesmo relegado ao limbo.
Abaixo, alguns momentos de Devendra e Amarante juntos no palco.
No Coachella, Amarante e sua camiseta estampada com o rosto do poeta Paulo Leminski.
Tocando "Baby", do disco novo (nada a ver com a canção de Caetano Veloso, referência fundamental de Devendra, como o próprio já declarou várias vezes).
Amarante ataca de percussionista lembrando dos tempos de Orquestra Imperial.
Nas ruas de San Diego.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Little Joy sob a sombra de Los Hermanos
Passada quase uma semana do show do Little Joy no Circo Voador (Rio de Janeiro), aqueles que se interessam por saber como foi a passagem da banda pelo Brasil já sabem que no Rio a apresentação foi encerrada com o público cantando "Último Romance" puxada por Fabrizio Moretti quando Rodrigo Amarante já havia deixado o palco. Foi obrigado a voltar. Ao mesmo tempo em que se comprazia com o reconhecimento dos fãs de sempre, parecia um pouco desconfortável em sua fase antipopstar, experimentada nas turnês americanas e europeia da sua nova banda.
No Rio, assim como em todas as outras capitais brasileiras por onde o Little Joy passou, um dos novos prazeres descobertos por Amarante em sua experiência internacional - o de tocar para pessoas que simplesmente desconheciam seu passado de glória no pop brasileiro -, e em menor escala também por Moretti, foi anulado. O Little Joy ganhava a plateia de antemão antes do primeiro acorde. Bastava Amarante subir ao palco.
De lá de cima, o som muitas vezes descrito por aí como ensolarado e praieiro, tornava evanescente a sua origem californiana. O sabor era antes carioca com sotaque inglês. Não aquele do posto 9, da praia de Ipanema, mas um meio termo entre a Copacabana pré-bossa nova, carregando o saudosismo de um tempo indefinido, e a Barra da Tijuca com seus quilômetros de areia a perder de vista e seus shoppings que remetem a Nova York. E aí se faz a costura entre as duas pontas, ou entre as duas cabeças do Little Joy. Rio e Nova York. Los Hermanos e Strokes. No palco estas referências são mais óbvias e reconheciveis do que o clima californiano identificado em massa pela imprensa brasileira à falta de uma definição melhor.
As melodias guiadas pela voz de Amarante contornam suas antigas composições. As harmonias roqueiras com levadas que remontam aos primórdios do rock - muito antes do revival promovido pelos Strokes - evitam as dissonâncias que fizeram dos Hermanos um saudável corpo estranho no rock nacional dando um frescor atemporal às canções. Da sonoridade da banda de Moretti, curiosamente, há a retidão da bateria, a cargo de Matt Romano. O terceiro elemento - Binki Shapiro - torna-se coadjuvante, pequeno como a sua voz, bela, mas por vezes claudicante, diante dos dois astros reconhecidos como tal pelos brasileiros. O fato é que no disco, os climas e os arranjos são mais bem resolvidos e a conjunção destes elementos ficam mais diluídos e uniformes.
Mas, enfim, nada disso importa ao público carioca. Amarante não cansa de repetir que agora, sim, está de volta para casa. Para a maioria é o que basta. Estavam com saudade de ouvi-lo cantar, embora devam ter sentido falta das dancinhas enérgicas durante os momentos de maior vigor instrumental. A língua estrangeira não chegou a ser uma barreira, embora tenha limitado o coro a apenas alguns trechos de determinadas canções. E assim transcorreu o show. Previsível para o público tanto quanto para os artistas.
Quando tudo estava encerrado, o animado Moretti resolveu fugir ao script, improvisando sobre o final feliz. Veio então o êxtase. Coisa semelhante acontece nos shows de Marcelo Camelo. A diferença é que este contempla os fãs com alguns números da banda em recesso. O fato de suas letras serem em português também faz com que algumas das canções de Sou alcancem ressonância semelhante a dos sucessos do passado. Depois de puxar o coro, Moretti ia deixando Amarante sozinho no palco, mas este o puxou pelo braço e o tirou pra dançar ao som de "Último Romance". Não há dúvida de que ele prefere os pequenos prazeres que descobriu com o seu novo brother do que a idolatria compartilhada com seus velhos hermanos.
No Rio, assim como em todas as outras capitais brasileiras por onde o Little Joy passou, um dos novos prazeres descobertos por Amarante em sua experiência internacional - o de tocar para pessoas que simplesmente desconheciam seu passado de glória no pop brasileiro -, e em menor escala também por Moretti, foi anulado. O Little Joy ganhava a plateia de antemão antes do primeiro acorde. Bastava Amarante subir ao palco.
De lá de cima, o som muitas vezes descrito por aí como ensolarado e praieiro, tornava evanescente a sua origem californiana. O sabor era antes carioca com sotaque inglês. Não aquele do posto 9, da praia de Ipanema, mas um meio termo entre a Copacabana pré-bossa nova, carregando o saudosismo de um tempo indefinido, e a Barra da Tijuca com seus quilômetros de areia a perder de vista e seus shoppings que remetem a Nova York. E aí se faz a costura entre as duas pontas, ou entre as duas cabeças do Little Joy. Rio e Nova York. Los Hermanos e Strokes. No palco estas referências são mais óbvias e reconheciveis do que o clima californiano identificado em massa pela imprensa brasileira à falta de uma definição melhor.
As melodias guiadas pela voz de Amarante contornam suas antigas composições. As harmonias roqueiras com levadas que remontam aos primórdios do rock - muito antes do revival promovido pelos Strokes - evitam as dissonâncias que fizeram dos Hermanos um saudável corpo estranho no rock nacional dando um frescor atemporal às canções. Da sonoridade da banda de Moretti, curiosamente, há a retidão da bateria, a cargo de Matt Romano. O terceiro elemento - Binki Shapiro - torna-se coadjuvante, pequeno como a sua voz, bela, mas por vezes claudicante, diante dos dois astros reconhecidos como tal pelos brasileiros. O fato é que no disco, os climas e os arranjos são mais bem resolvidos e a conjunção destes elementos ficam mais diluídos e uniformes.
Mas, enfim, nada disso importa ao público carioca. Amarante não cansa de repetir que agora, sim, está de volta para casa. Para a maioria é o que basta. Estavam com saudade de ouvi-lo cantar, embora devam ter sentido falta das dancinhas enérgicas durante os momentos de maior vigor instrumental. A língua estrangeira não chegou a ser uma barreira, embora tenha limitado o coro a apenas alguns trechos de determinadas canções. E assim transcorreu o show. Previsível para o público tanto quanto para os artistas.
Quando tudo estava encerrado, o animado Moretti resolveu fugir ao script, improvisando sobre o final feliz. Veio então o êxtase. Coisa semelhante acontece nos shows de Marcelo Camelo. A diferença é que este contempla os fãs com alguns números da banda em recesso. O fato de suas letras serem em português também faz com que algumas das canções de Sou alcancem ressonância semelhante a dos sucessos do passado. Depois de puxar o coro, Moretti ia deixando Amarante sozinho no palco, mas este o puxou pelo braço e o tirou pra dançar ao som de "Último Romance". Não há dúvida de que ele prefere os pequenos prazeres que descobriu com o seu novo brother do que a idolatria compartilhada com seus velhos hermanos.
Plateia em êxtase sob os olhares e os ouvidos de Amarante e Camelo por acmyit
Que o momento mais emocionante do show tenha sido aquele em que o espectro do Los Hermanos tomou conta do Circo mostra que a antiga banda de Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo, no todo, ainda ocupa o coração dos fãs para muito além de cada uma de suas partes em separado. Mesmo que Amarante, na companhia de Binki e Moretti, e Camelo, acompanhado pelo Hurtmold, transmitam muito mais verdade e alegria atualmente, seja no palco ou em estúdio. Bem, pelo menos é o que parece. Resta ver como será nos dias 20 e 22 de março na abertura do Radiohead.
Que o momento mais emocionante do show tenha sido aquele em que o espectro do Los Hermanos tomou conta do Circo mostra que a antiga banda de Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo, no todo, ainda ocupa o coração dos fãs para muito além de cada uma de suas partes em separado. Mesmo que Amarante, na companhia de Binki e Moretti, e Camelo, acompanhado pelo Hurtmold, transmitam muito mais verdade e alegria atualmente, seja no palco ou em estúdio. Bem, pelo menos é o que parece. Resta ver como será nos dias 20 e 22 de março na abertura do Radiohead.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Little Joy em Porto Alegre - Só o começo
Por Leandro de Nardi, de Porto Alegre
Apoteótico. Mais parecia o fim de um grande show de uma consagrada banda. Mas não. Era a primeira vez que o Little Joy se apresentava no Brasil e mesmo assim se confirmou o que Rodrigo Amarante afirmou no palco do bar Opinião: “Sabia que tínhamos que começar por Porto Alegre”.
A sintonia é total entre Frabrizio Moretti (Strokes), Rodrigo Amarante (Los Hermanos) e Binki Shapiro, de voz fantasticamente macia e aveludada. Com o público delirando e ensurdecido, "Play the Part" foi a primeira de um set list ainda incipiente, conforme afirmou Rodrigo Amarante no palco. “Só temos 11 músicas ensaiadas”, disse. Justamente as onze músicas do disco de estréia da banda.
Não precisava mais. Ter no palco Los Hermanos e Strokes juntos, mesmo que só com um representante de cada banda, já basta. E quando começam a tocar "The Next Time Around" o Opinião vem abaixo. Todos a conhecem como se fosse uma música dos Hermanos, sabem entoar as letras sem se perder na melodia. Não era pra ser assim. Pelo menos o trio no palco não esperava tamanha comoção.
Mas foi. Um show onde as referências e sotaques, muitos e variados, foram sendo destilados com muita pegada. Com Fabrízio Moretti na guitarra e Binki Shapiro fazendo os backing vocals e a cama sonora, Amarante só precisou mesmo soltar sua voz roufenhamente envelhecida fazendo o inglês soar familiar como nunca aos presentes na platéia. Rock'n'roll, MPB, samba e até bossa nova. Tudo soa natural com o Little Joy, mesmo que seja só o começo.
Apoteótico. Mais parecia o fim de um grande show de uma consagrada banda. Mas não. Era a primeira vez que o Little Joy se apresentava no Brasil e mesmo assim se confirmou o que Rodrigo Amarante afirmou no palco do bar Opinião: “Sabia que tínhamos que começar por Porto Alegre”.
A sintonia é total entre Frabrizio Moretti (Strokes), Rodrigo Amarante (Los Hermanos) e Binki Shapiro, de voz fantasticamente macia e aveludada. Com o público delirando e ensurdecido, "Play the Part" foi a primeira de um set list ainda incipiente, conforme afirmou Rodrigo Amarante no palco. “Só temos 11 músicas ensaiadas”, disse. Justamente as onze músicas do disco de estréia da banda.
Não precisava mais. Ter no palco Los Hermanos e Strokes juntos, mesmo que só com um representante de cada banda, já basta. E quando começam a tocar "The Next Time Around" o Opinião vem abaixo. Todos a conhecem como se fosse uma música dos Hermanos, sabem entoar as letras sem se perder na melodia. Não era pra ser assim. Pelo menos o trio no palco não esperava tamanha comoção.
Mas foi. Um show onde as referências e sotaques, muitos e variados, foram sendo destilados com muita pegada. Com Fabrízio Moretti na guitarra e Binki Shapiro fazendo os backing vocals e a cama sonora, Amarante só precisou mesmo soltar sua voz roufenhamente envelhecida fazendo o inglês soar familiar como nunca aos presentes na platéia. Rock'n'roll, MPB, samba e até bossa nova. Tudo soa natural com o Little Joy, mesmo que seja só o começo.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Little Joy em imagens caseiras
O clipe está para o youtube, assim como o cd para o mp3. Foi incorporado ao território livre da pirataria e por si só não justifica os investimentos que se faziam outrora, nos áureos tempos da MTV. Que, aliás, por um tempo o declarou morto, excluindo-o totalmente de sua programação.
Mas é totalmente válido quando parte de uma iniciativa da banda, de convidar amigos próximos que tenham ligações com o audiovisual, ou não, talvez nem seja preciso ter, para fazer um registro direto e despretensioso.
É o caso do Little Joy, com uma versão acústica e inédita de "Next Time Around", que de certa forma remete aos clipes gêmeos de "Morena" e "Condicional", dos tempos de Los Hermanos:
Mas é totalmente válido quando parte de uma iniciativa da banda, de convidar amigos próximos que tenham ligações com o audiovisual, ou não, talvez nem seja preciso ter, para fazer um registro direto e despretensioso.
É o caso do Little Joy, com uma versão acústica e inédita de "Next Time Around", que de certa forma remete aos clipes gêmeos de "Morena" e "Condicional", dos tempos de Los Hermanos:
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Vazou: disco do Little Joy já está na rede
Com lançamento marcado para o dia 4 de novembro, o disco do Little Joy, banda de Rodrigo Amarante, Fabrizio Moretti e Binki Shapiro, caiu na rede hoje, anuncia o site britânico Did it Leak. Pindzim ainda não pôde ouvi-lo, mas o trabalho foi bastante elogiado pela revista Uncut.Quem quiser ir se adiantando na audição pode clicar aqui.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Little Joy ao vivo: Roots, Rock, Reggae
Não demorou. Bastou o primeiro show para "No Better Sake", o reggae-rock já liberado no Myspace, cair na rede. A pergunta é: será que Amarante está sentindo falta do coro da platéia?
A voz continua a mesma, mas as linhas de baixo anti-convencionais já não são as mesmas. É só impressão ou Amarante está tocando na base da palhetada? Bem, no vídeo não se ouvem mesmo os graves. O que se destaca é o orgão.
Há também uma inédita, embora a princípio não se tenha certeza. Sem prestar atenção, nem se nota Amarante agora na guitarra, com Binki ao seu lado acompanhando no violão. A batida é outra, mas o clima é o mesmo. A monotonia ensolarada de um fim de tarde californiano refletido no espelho retrovisor de um banheirão vintage.
Música de raiz, não se pode negar.
A voz continua a mesma, mas as linhas de baixo anti-convencionais já não são as mesmas. É só impressão ou Amarante está tocando na base da palhetada? Bem, no vídeo não se ouvem mesmo os graves. O que se destaca é o orgão.
Há também uma inédita, embora a princípio não se tenha certeza. Sem prestar atenção, nem se nota Amarante agora na guitarra, com Binki ao seu lado acompanhando no violão. A batida é outra, mas o clima é o mesmo. A monotonia ensolarada de um fim de tarde californiano refletido no espelho retrovisor de um banheirão vintage.
Música de raiz, não se pode negar.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Disco do Little Joy sai dia 4 de novembro no exterior
Está confirmado para o dia 4 de novembro o lançamento internacional do disco do Little Joy (Rough Trade), projeto que reúne Rodrigo Amarante, o baterista dos Strokes Fabrizzio Moreti e a pouco conhecida entre nós Binki Shapiro. Sobre a sonoridade, nada pode ser dito, mas a lista de canções que integra o álbum já foi divulgada. Serão 11 músicas. Dez têm títulos em inglês e apenas uma em português - "Evaporar", já conhecida da Tuba do Pindzim e do registro no disco Duos (2007), do guitarrista Lanny Gordin. A produção é de Noah Georgeson.
Little Joy:
01 The Next Time Around
02 Brand New Start
03 Play the Part
04 No One's Better Sake
05 Unattainable
06 Shoulder to Shoulder
07 With Strangers
08 Keep Me in Mind
09 How to Hang a Warhol
10 Don't Watch Me Dancing
11 Evaporar
Enquanto isso, o Little Joy sai em turnê com o Megapuss, projeto paralelo de Devendra Banhart e Gregory Rogove, cujo disco de estréia, Surfing, tem lançamento digital marcado para o dia 16 de setembro. CD e LP saem no dia 8 de outubro.
Os laços entre as bandas vão além do fato de excursionarem juntas. Nos shows, Fabrizio Moretti assume a bateria do Megapuss. Além disso, colaborou na letra e fez uma participação vocal em "Theme From Hollywood", que vai estar no disco da banda de Devendra e Rogrove. Amarante também teria participado tocando baixo em algumas faixas. Entretanto, ouvindo as duas músicas disponibilizadas no Myspace do Megapuss é de se supor que o ruivo também colaborou com sua guitarra distorcida. Por sua vez, Rogrove vai integrar a formação de palco do Little Joy. Georgeson também. Duas bandas, uma família musical.
Confira a agenda de shows. Caso você vá viajar para os Estados Unidos nesse mês de setembro, ou esteja com muita saudade de Amarante, é só se programar:
24/09 - San Diego, CA - Casbah
25/09 - Los Angeles, CA - Troubadour
26/09 - Big Sur, CA - Festival in the Forest
28/09 - San Francisco, CA - The Independent
30/09 - Seattle, WA - Neumos
01/10 - Portland, OR - Doug Fir
Little Joy:
01 The Next Time Around
02 Brand New Start
03 Play the Part
04 No One's Better Sake
05 Unattainable
06 Shoulder to Shoulder
07 With Strangers
08 Keep Me in Mind
09 How to Hang a Warhol
10 Don't Watch Me Dancing
11 Evaporar
Enquanto isso, o Little Joy sai em turnê com o Megapuss, projeto paralelo de Devendra Banhart e Gregory Rogove, cujo disco de estréia, Surfing, tem lançamento digital marcado para o dia 16 de setembro. CD e LP saem no dia 8 de outubro.
Os laços entre as bandas vão além do fato de excursionarem juntas. Nos shows, Fabrizio Moretti assume a bateria do Megapuss. Além disso, colaborou na letra e fez uma participação vocal em "Theme From Hollywood", que vai estar no disco da banda de Devendra e Rogrove. Amarante também teria participado tocando baixo em algumas faixas. Entretanto, ouvindo as duas músicas disponibilizadas no Myspace do Megapuss é de se supor que o ruivo também colaborou com sua guitarra distorcida. Por sua vez, Rogrove vai integrar a formação de palco do Little Joy. Georgeson também. Duas bandas, uma família musical.
Confira a agenda de shows. Caso você vá viajar para os Estados Unidos nesse mês de setembro, ou esteja com muita saudade de Amarante, é só se programar:
24/09 - San Diego, CA - Casbah
25/09 - Los Angeles, CA - Troubadour
26/09 - Big Sur, CA - Festival in the Forest
28/09 - San Francisco, CA - The Independent
30/09 - Seattle, WA - Neumos
01/10 - Portland, OR - Doug Fir
terça-feira, 26 de agosto de 2008
As últimas dos Hermanos
Adaptando-se aos tempos de distribuição digital, Marcelo Camelo anunciou parceria com o portal Sonora do Terra para lançar em primeira mão algumas músicas do seu aguardado disco de estréia, intitulado Sou. A primeira a ser disponibilizada foi "Doce Solidão", que não trás grandes novidades em relação à versão em voz e violão que Camelo havia colocado em seu Myspace há algum tempo. O violão dedilhado, o vocal em falsete e o assobio ingênuo permaneceram no
arranjo final. De resto, há bateria e percussão sutil, um piano de poucas notas e uma segunda parte que se limita a repetir a primeira.
É de se supor que a escolha de "Doce Solidão" como música de trabalho faça parte da tradicional estratégia, que vem de seus tempos de Los Hermanos, de revelar o mínimo possível até a segunda parte do lançamento, marcada para a próxima sexta, dia 29, quando mais nove canções, das 14 que compõem o álbum, poderão ser ouvidas no Sonora. Quatro ficarão guardadas para o lançamento do disco, em 8 de setembro.
arranjo final. De resto, há bateria e percussão sutil, um piano de poucas notas e uma segunda parte que se limita a repetir a primeira.É de se supor que a escolha de "Doce Solidão" como música de trabalho faça parte da tradicional estratégia, que vem de seus tempos de Los Hermanos, de revelar o mínimo possível até a segunda parte do lançamento, marcada para a próxima sexta, dia 29, quando mais nove canções, das 14 que compõem o álbum, poderão ser ouvidas no Sonora. Quatro ficarão guardadas para o lançamento do disco, em 8 de setembro.
Enquanto isso, no hemisfério norte, Rodrigo Amarante vai dando os retoques finais no disco que
lançará outono euro-americano-do-norte com Fabrizio Moretti, baterista do The Strokes. É bem possível que a estréia internacional de Amarante não chegue ao Brasil por vias tradicionais, mas apenas pelos canais alternativos -ou piratas, se preferirem- da internet. Por vias tortas, os outrora parceiros seguem procedimento semelhante. Do Little Joy nada ainda se ouviu. Mais uma semelhança: o mistério faz parte do jogo de um e de outro. Um reporter da EW.com ouviu algumas músicas enquanto Fabrízio trabalhava na mixagem e declarou: "apenas idéias prazerosas estão reservadas para aqueles que esperarem para ouvir o material sem pré-julgamentos.
Até mesmo na diferença podem se encontrar paralelos. No Brasil, Marcelo Camelo se junta ao Hurtmold em turnê com diversas datas já anunciadas. Na América, o Little Joy se junta ao Megapuss, projeto paralelo de Devendra Banhart - que conta com Fabrizio na bateria - para uma série de shows, informa o Sound Board, blog de música do Los Angeles Times.
Não se surpreendam se o próprio Amarante também estiver envolvido nisso. As duas músicas do Megapuss no Myspace têm guitarras que remetem ao estilo e ao timbre do Ruivo em seu tempo de Los Hermanos. Pode ser apenas influência provocada pela convivência.
O certo mesmo é que na próxima quinta-feira, às 22h15, nem Camelo nem Amarante vão estar com suas tv's ligadas no Multishow para assistir o pouco que sobrou: o show de despedida do Los
Hermanos na Fundição Progresso. Os antigos fãs, que certamente estarão ligados na tela, alguns com lágrimas nos olhos, outros ainda com as letras na ponta da língua para serem cantadas a plenos pulmões, já não lhes dizem mais respeito. Camelo fez um disco para ser ouvido com atenção às sutilezas. Suas apresentações serão em teatros com acústica privilegiada, para um público comportado. Amarante está longe fazendo o que lhe der na telha sem patrulhas midiáticas ou repreensões ideológicas de um público que quis molda-lo às suas expectativas movidas a fanatismo.
Camelo assume o compositor que agora é. "Doce Solidão", a música, e Sou, o disco, não deixam margens para dúvida. Amarante, quase anônimo em Los Angeles, curte seus pequenos prazeres na companhia de seus novos irmãos. Para o epitáfio me vem à cabeça os versos finais de "O Vencedor": "faço o melhor que sou capaz, só pra viver em paz".
lançará outono euro-americano-do-norte com Fabrizio Moretti, baterista do The Strokes. É bem possível que a estréia internacional de Amarante não chegue ao Brasil por vias tradicionais, mas apenas pelos canais alternativos -ou piratas, se preferirem- da internet. Por vias tortas, os outrora parceiros seguem procedimento semelhante. Do Little Joy nada ainda se ouviu. Mais uma semelhança: o mistério faz parte do jogo de um e de outro. Um reporter da EW.com ouviu algumas músicas enquanto Fabrízio trabalhava na mixagem e declarou: "apenas idéias prazerosas estão reservadas para aqueles que esperarem para ouvir o material sem pré-julgamentos.Até mesmo na diferença podem se encontrar paralelos. No Brasil, Marcelo Camelo se junta ao Hurtmold em turnê com diversas datas já anunciadas. Na América, o Little Joy se junta ao Megapuss, projeto paralelo de Devendra Banhart - que conta com Fabrizio na bateria - para uma série de shows, informa o Sound Board, blog de música do Los Angeles Times.
Não se surpreendam se o próprio Amarante também estiver envolvido nisso. As duas músicas do Megapuss no Myspace têm guitarras que remetem ao estilo e ao timbre do Ruivo em seu tempo de Los Hermanos. Pode ser apenas influência provocada pela convivência.
O certo mesmo é que na próxima quinta-feira, às 22h15, nem Camelo nem Amarante vão estar com suas tv's ligadas no Multishow para assistir o pouco que sobrou: o show de despedida do Los
Hermanos na Fundição Progresso. Os antigos fãs, que certamente estarão ligados na tela, alguns com lágrimas nos olhos, outros ainda com as letras na ponta da língua para serem cantadas a plenos pulmões, já não lhes dizem mais respeito. Camelo fez um disco para ser ouvido com atenção às sutilezas. Suas apresentações serão em teatros com acústica privilegiada, para um público comportado. Amarante está longe fazendo o que lhe der na telha sem patrulhas midiáticas ou repreensões ideológicas de um público que quis molda-lo às suas expectativas movidas a fanatismo.Camelo assume o compositor que agora é. "Doce Solidão", a música, e Sou, o disco, não deixam margens para dúvida. Amarante, quase anônimo em Los Angeles, curte seus pequenos prazeres na companhia de seus novos irmãos. Para o epitáfio me vem à cabeça os versos finais de "O Vencedor": "faço o melhor que sou capaz, só pra viver em paz".
domingo, 29 de junho de 2008
Rodrigo Amarante lançará disco com baterista do The Strokes
Se o disco solo de Marcelo Camelo já não é segredo, pouco se sabe a respeito dos projetos pós-Los Hermanos de Rodrigo Amarante. Quer dizer, até se fica sabendo, mas sempre depois que eles acontecem. Assim foi quando da participação em Smokey Rolls Down Thunder Canyon de Devendra Banhart, por exemplo. "Diamond Eyes", canção que ele compôs especialmente para uma coletânea organizada por Devendra, não fez barulho por aqui.
Mas é sabido também que Amarante é dado a projetos coletivos e participações especiais. Para ficar em um exemplo óbvio, pense na Orquestra Imperial. Ou no 3naMassa, para quem ele escreveu a letra de "Tatuí". Mas há também a obscura colaboração vocal em O Ciclo da De:cadência, estréia em disco do Cidadão Instigado. E as participações em álbuns de Vanessa da Mata e Adriana Calcanhotto.
Há muito já se ouve falar de um possível projeto paralelo de alguns integrantes do The Strokes envolvendo a participação de Amarante. Agora, através do site da banda nova yorkina, ficamos sabendo que, sob o nome de Little Joy, Amarante, o baterista dos Strokes Fabrizio Moretti e a misteriosa e/ou desconhecida Binki Shapiro vão lançar um disco no outono do hemisfério norte -primavera aqui no Brasil. A data de lançamento deve ser anunciada em breve. O disco vai sair pelo selo britânico Rough Trade Records.
Binki Shapiro em foto: nova parceira musical de Rodrigo Amarante
Mas é sabido também que Amarante é dado a projetos coletivos e participações especiais. Para ficar em um exemplo óbvio, pense na Orquestra Imperial. Ou no 3naMassa, para quem ele escreveu a letra de "Tatuí". Mas há também a obscura colaboração vocal em O Ciclo da De:cadência, estréia em disco do Cidadão Instigado. E as participações em álbuns de Vanessa da Mata e Adriana Calcanhotto.
Há muito já se ouve falar de um possível projeto paralelo de alguns integrantes do The Strokes envolvendo a participação de Amarante. Agora, através do site da banda nova yorkina, ficamos sabendo que, sob o nome de Little Joy, Amarante, o baterista dos Strokes Fabrizio Moretti e a misteriosa e/ou desconhecida Binki Shapiro vão lançar um disco no outono do hemisfério norte -primavera aqui no Brasil. A data de lançamento deve ser anunciada em breve. O disco vai sair pelo selo britânico Rough Trade Records.
Binki Shapiro em foto: nova parceira musical de Rodrigo Amarante
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Rodrigo Amarante e Devendra Banhart: parceria frutífera
Já é mais do que sabido que o (ex-?)hermano Rodrigo Amarante participou ativamente do mais recente disco de Devendra Banhart, Smokey Rolls Down Thunder Canyon, tocando guitarra, violão, piano, tabla, uquelelê, fazendo vocais de apoio e até mesmo cantando uma música em dueto com o americano - "Rosa". Conforme Amarante declarou à Rolling Stone brasileira, o processo de produção do álbum, todo gravado em uma casa em Topanga Canyon, Califórnia, foi feito da forma como ele muitas vezes planejara fazer com o Los Hermanos, porém jamais conseguira de fato realizar: "alugar uma casa em um lugar isolado e ficar morando lá, fazendo as músicas e gravando".No making of do disco disponibilizado no Youtube há imagens de Amarante interagindo com Devendra, embora não apareça tocando, pois a música que serve de trilha sonora e espinha dorsal para a edição das imagens é a extensa "Sea Horse", na qual, aparentemente, ele não colaborou. Também aparecem no vídeo imagens do ator Gael Garcia Bernal que participou do disco cantando "Cristobal". Sinta o clima em que transcorreram as gravações:
A carreira internacional de Amarante deve continuar, de acordo com o próprio Devendra. Em entrevista recente citada no blog Ilustrada no Pop, ele sugeriu que em breve o brasileiro deve realizar algum trabalho com os Strokes, ou pelo menos com alugns de seus integrantes. Além disso, Devendra trouxe à luz a primeira composição em inglês de Amarante. "Diamond Eyes" integra "Acid Folk", uma coletânea compilada pelo americano para a revista Uncut. E as novidades não param por aí. Assim como Marcelo Camelo, Amarante criou sua própria página no Myspace, onde disponibilizou uma versão em voz e violão de "Evaporar" diferente daquela registrada no disco "Duos", do guitarrista Lanny Gordin. Bonito.
sexta-feira, 11 de maio de 2007
Chão de Estrelas - Lanny Gordin no Estrela da Lapa com Rodrigo Amarante
Tímido, o senhor calvo sobe ao palco sob os aplausos da casa cheia. Solitário, ele empunha a sua guitarra e experimenta algumas notas testando a afinação. Não está perfeita. Atarraxa aqui e ali, ansioso, toca alguns acordes. Aperta mais um pouco o mi agudo, testa de novo. Uma vez satisfeito, sorri discretamente, para ele mesmo. Está pronto para começar. As primeiras notas introduzem “Corcovado”, clássico da bossa nova - o banquinho e o violão transfigurados pela eletricidade de um homem apaixonado por sua guitarra. O solo amplifica as dissonâncias que ele improvisa sobre a harmonia da canção. A concentração é total. Ele toca com o olhar fixo sobre os movimentos da mão esquerda, mentalizando a digitação no braço da guitarra, enquanto a mão direita determina a intensidade e a velocidade das palhetadas precisas. Durante todo o show será assim. Um homem e seu mundo, Lanny Gordin e a sua guitarra.
Mesmo quando, a partir da segunda música, recebe seus músicos de apoio no palco, ele se mantém alheio, astro rei em seu universo particular em torno do qual gravitam o baixista Fábio Sá, o baterista Zé Aurélio e o guitarrista Guilherme Held. Juntos eles começam com “Baby” e depois retomam algumas canções do Projeto Alfa, disco dividido em dois volumes, lançado em 2004, que marca a retomada da carreira de Lanny após anos em que se manteve à margem do circuito musical devido a complicações psicológicas decorrentes de um mergulho profundo nos descaminhos da mente conduzido pela esquizofrenia e pelo ácido lisérgico.
Independentemente deste hiato em sua trajetória, o timbre da guitarra de Lanny Gordin permanece inconfundível e único, o mesmo dos tempos do tropicalismo, quando integrou as bandas de Gilberto Gil, Caetano Veloso e Gal Costa. Ouvindo gravações antigas ou vendo-o tocar ao vivo, hoje, é fácil identificá-lo. Limpo e levemente distorcido pelo ir e vir de seu pé sobre um pedal wah-wah. Nesta noite, o rangido do pedal cria um complemento rítmico agudo, certamente involuntário, em contraponto ao efeito em si. Travessura de moleque, ingênuo e ao mesmo tempo endiabrado. No intervalo entre as músicas, Lanny se dirige à platéia furtivamente, balbucia algumas palavras como que em desafio a um castigo e por vezes arranca gargalhadas do público. E então sorri, sempre sorri antes de voltar ao seu brinquedo favorito.
Em Duos, seu disco mais recente, Lanny convidou alguns amigos aos quais ele emprestou o som de sua guitarra em troca de uma participação vocal. Parceiros antigos como Jards Macalé e os tropicalistas acima citados se misturaram a novos companheiros como Adriana Calcanhotto, Junio Barreto e Vanessa da Mata. Ao ser convidado, Rodrigo Amarante escolheu cantar “Mucuripe”, que, no entanto, já havia sido gravada por Fernanda Takai. Assim, se viu impelido a retribuir com um presente para além da simples participação. Aproveitou a ocasião e compôs “Evaporar”. Único participante do disco presente na versão carioca do show, Amarante subiu ao palco pela primeira vez desde que os Los Hermanos anunciaram o recesso para se juntar a Lanny na interpretação de sua mais nova canção.
“Evaporar” é contemplativa. Discorre sobre a passagem do tempo em uma lírica que remete a “O Vento”, e tem uma sonoridade delicada em que a guitarra de Lanny flutua sobre a harmonia do violão tocado por Amarante. Aponta para uma direção menos roqueira, assim como muitas das canções de Marcelo Camelo presentes no último disco da banda, demonstrando que o recesso certamente não se deve a problemas de afinidade musical.
Em seguida, Amarante anuncia que vai tocar uma música do repertório dos Los Hermanos em uma versão cuja sonoridade se aproxima bem mais do formato original da canção tal como ele a compôs. Levada no violão, acompanhado por baixo acústico e timbatera, e com um andamento mais lento, “Condicional” destaca o acento nordestino que a sujeira das guitarras e o peso da bateria escondem no arranjo concebido pela banda. No final, a distorção apoteótica é substituída por um diálogo entre a base dedilhada por Amarante e o solo de pureza cristalina executado por Lanny. O último número da dupla foi “Primeiro Andar”, outra do 4. Em ritmo de acalanto, o clima intimista da música foi levado às últimas conseqüências. As canções de Rodrigo Amarante reveladas na integridade da composição, despidas da engenharia sonora dos Los Hermanos, temperadas pela guitarra de Lanny foram a retribuição do anfitrião da noite ao presente recebido no disco. Belo momento.
No último ato do show, Lanny traz à tona a lenda por trás do homem. Apresenta as credenciais de artífice da guitarra tropicalista emulando nota por nota o solo de “Atrás do Trio Elétrico” registrado no álbum branco de Caetano Veloso. Em sua versão de “Tropicália”, o hino não-oficial do movimento, a melodia se faz ouvir através do solo. A guitarra canta, geme, grita, explode e exalta. Os fantasmas do passado não o assustam mais. Nascido na China, filho de mãe russa e pai polonês, com a infância vivida em Israel e formação musical brasileira, agora, Lanny voltou a ser esse mesmo homem de novo. O homem que encontrou a sua identidade, uma identidade brasileira, no som de sua guitarra.
Show: Lanny Gordin com participação de Rodrigo Amarante
Local: Estrela da Lapa - Rio de Janeiro
Data: 10 de maio de 2007.
Confira na Tuba do Pindzim Lanny Gordin e Rodrigo Amarante interpetando Evaporar e Condicional no show do Estrela da Lapa.
Mesmo quando, a partir da segunda música, recebe seus músicos de apoio no palco, ele se mantém alheio, astro rei em seu universo particular em torno do qual gravitam o baixista Fábio Sá, o baterista Zé Aurélio e o guitarrista Guilherme Held. Juntos eles começam com “Baby” e depois retomam algumas canções do Projeto Alfa, disco dividido em dois volumes, lançado em 2004, que marca a retomada da carreira de Lanny após anos em que se manteve à margem do circuito musical devido a complicações psicológicas decorrentes de um mergulho profundo nos descaminhos da mente conduzido pela esquizofrenia e pelo ácido lisérgico.
Independentemente deste hiato em sua trajetória, o timbre da guitarra de Lanny Gordin permanece inconfundível e único, o mesmo dos tempos do tropicalismo, quando integrou as bandas de Gilberto Gil, Caetano Veloso e Gal Costa. Ouvindo gravações antigas ou vendo-o tocar ao vivo, hoje, é fácil identificá-lo. Limpo e levemente distorcido pelo ir e vir de seu pé sobre um pedal wah-wah. Nesta noite, o rangido do pedal cria um complemento rítmico agudo, certamente involuntário, em contraponto ao efeito em si. Travessura de moleque, ingênuo e ao mesmo tempo endiabrado. No intervalo entre as músicas, Lanny se dirige à platéia furtivamente, balbucia algumas palavras como que em desafio a um castigo e por vezes arranca gargalhadas do público. E então sorri, sempre sorri antes de voltar ao seu brinquedo favorito.
Em Duos, seu disco mais recente, Lanny convidou alguns amigos aos quais ele emprestou o som de sua guitarra em troca de uma participação vocal. Parceiros antigos como Jards Macalé e os tropicalistas acima citados se misturaram a novos companheiros como Adriana Calcanhotto, Junio Barreto e Vanessa da Mata. Ao ser convidado, Rodrigo Amarante escolheu cantar “Mucuripe”, que, no entanto, já havia sido gravada por Fernanda Takai. Assim, se viu impelido a retribuir com um presente para além da simples participação. Aproveitou a ocasião e compôs “Evaporar”. Único participante do disco presente na versão carioca do show, Amarante subiu ao palco pela primeira vez desde que os Los Hermanos anunciaram o recesso para se juntar a Lanny na interpretação de sua mais nova canção.
“Evaporar” é contemplativa. Discorre sobre a passagem do tempo em uma lírica que remete a “O Vento”, e tem uma sonoridade delicada em que a guitarra de Lanny flutua sobre a harmonia do violão tocado por Amarante. Aponta para uma direção menos roqueira, assim como muitas das canções de Marcelo Camelo presentes no último disco da banda, demonstrando que o recesso certamente não se deve a problemas de afinidade musical.
Em seguida, Amarante anuncia que vai tocar uma música do repertório dos Los Hermanos em uma versão cuja sonoridade se aproxima bem mais do formato original da canção tal como ele a compôs. Levada no violão, acompanhado por baixo acústico e timbatera, e com um andamento mais lento, “Condicional” destaca o acento nordestino que a sujeira das guitarras e o peso da bateria escondem no arranjo concebido pela banda. No final, a distorção apoteótica é substituída por um diálogo entre a base dedilhada por Amarante e o solo de pureza cristalina executado por Lanny. O último número da dupla foi “Primeiro Andar”, outra do 4. Em ritmo de acalanto, o clima intimista da música foi levado às últimas conseqüências. As canções de Rodrigo Amarante reveladas na integridade da composição, despidas da engenharia sonora dos Los Hermanos, temperadas pela guitarra de Lanny foram a retribuição do anfitrião da noite ao presente recebido no disco. Belo momento.
No último ato do show, Lanny traz à tona a lenda por trás do homem. Apresenta as credenciais de artífice da guitarra tropicalista emulando nota por nota o solo de “Atrás do Trio Elétrico” registrado no álbum branco de Caetano Veloso. Em sua versão de “Tropicália”, o hino não-oficial do movimento, a melodia se faz ouvir através do solo. A guitarra canta, geme, grita, explode e exalta. Os fantasmas do passado não o assustam mais. Nascido na China, filho de mãe russa e pai polonês, com a infância vivida em Israel e formação musical brasileira, agora, Lanny voltou a ser esse mesmo homem de novo. O homem que encontrou a sua identidade, uma identidade brasileira, no som de sua guitarra.
Show: Lanny Gordin com participação de Rodrigo Amarante
Local: Estrela da Lapa - Rio de Janeiro
Data: 10 de maio de 2007.
Confira na Tuba do Pindzim Lanny Gordin e Rodrigo Amarante interpetando Evaporar e Condicional no show do Estrela da Lapa.
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