Mostrando postagens com marcador Pelas Tabelas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pelas Tabelas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Catatau e Guizado, breve crônica de um encontro

Nada de ensaio, nem mesmo um telefonema para alguma combinação prévia. Fernando Catatau e Guilherme Mendonça a.k.a Guizado chegaram sem nenhum número preparado para o encontro proposto pelo Pelas Tabelas em uma tarde quente de abril no Zé Presidente. As três músicas resultantes do encontro, vistas parcialmente na edição do programa, nasceram do improviso. Aqui, recordo parte das cenas que presenciamos, ainda que sons e imagens falem por si.

Além da guitarra e da pedaleira, Catatau levou uma bateria eletrônica para fazer a base rítmica. A partir da escolha de uma batida reta em loop constante, sem quebras de andamento, Catatau improvisava uma base harmônica na guitarra, dando margem aos contornos melódicos propostos pelo trompete de Guizado. Aí, então, "sustos" de parte a parte, como definiu o trompetista, iam determinando os rumos das composições instantâneas.

A primeira, que na edição serviu para o encerramento do programa, saiu lenta, arrastada, quase fúnebre. Com notas dispersas por uma mão direita hesitante, a guitarra de Catatau a empurrava para viagens psicodélico-progressivas, enquanto o trompete trafegava pelas dissonâncias do jazz. Um tema próprio a desencontros.

Para o segundo número, Guizado pediu um batida mais acelerada. Escolhido um beat que remetia à música caribenha, imediatamente Catatau improvisou um riff que estruturou a primeira parte. Enquanto Guizado decifrava a sequência harmônica, o guitarrista criou uma segunda parte. Antes de começar a tocar pra valer, perguntou se Guizado poderia acompanhá-lo naquela variação. Permissão concedida, o resultado foi esse:



A música que abre o programa foi a terceira e última da sessão - um blues-rock com riff desenhado em uma sequência de acordes maiores. Reprocessado por pedais de efeito, o trompete soa como guitarra solo. É a música em que os dois estão mais soltos e arriscam maiores desvios do curso estabelecido no começo.

No fim, ouvindo as três músicas, nota-se que nenhuma delas remete diretamente ao som que Catatau e Guizado fazem quando acompanhados por suas respectivas bandas, que aliás, têm dois integrantes em comum - o guitarrista Régis Damasceno e o baixista Rian Batista. Catatau tem se apresentado com uma formação instrumental em um projeto paralelo ao Cidadão Instigado, então, não será estranho que Guizado junte-se a ele qualquer hora dessas para uma participação. Porém, a combinação de guitarra, trompete e beats eletrônicos dificilmente se repetirá.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

O adeus de Pindzim e a continuação

Este blog começou com a encarnação de um personagem que era um avatar inspirado no grande Pixinguinha. Se apresentava da seguinte forma: "estou morto, mas a música me faz onipresente". E eis que nestes últimos meses (leia-se: desde o começo deste ano) foi justamente a música que praticamente sepultou meu personagem fictício. Nascido como subterfúgio para que eu pudesse exercer a crítica sem revelar minha real identidade, o bom mas não tão velho Pindzim parece ter perdido o sentido que lhe garantia a existência.

Desde meados de 2008, ao lado do parceiro Pablo Francischelli, desenvolvi um projeto audiovisual para levar à televisão os novos compositores da música brasileira. Em julho daquele ano gravamos um piloto com Edu Krieger e Rodrigo Maranhão que garantiu uma primeira temporada com 13 episódios. Nascia o Pelas Tabelas.

Neste ano levamos a cabo a segunda temporada. Ao contrário da primeira, a curadoria ficou totalmente sob nossa responsabilidade. Nosso foco foi a cena paulistana, com 8 dos 13 programas tendo sido gravados lá. Construímos uma obra e obtivemos algum (bom) reconhecimento. Ao fim e ao cabo, foram 26 programas em que retratamos 58 compositores da brilhante geração atual da música brasileira. E, alvíssaras, rendeu frutos para esta geração em termos de difusão audiovisual, direta ou indiretamente, consciente ou inconscientemente, vide o Compacto, patrocinado pela Petrobrás, e os micro-documentários do Natura Musical.

Nesse meio tempo, pequenos trabalhos relacionados à música surgiram, como a série de vídeos com Yamandu Costa e Guto Wirtti e o vídeo-release do segundo disco de Edu Kriegere o blog foi ficando de lado, relegado às poucas horas vagas. O mesmo aconteceu com a Tuba do Pindzim, hoje ameaçada de extinção por duas denuncias de violação de direitos autorais, ambas por parte da Sony Music. A primeira, em razão de um vídeo da cantora Ana Cañas; a segunda, um registro do primeiro show solo de Marcelo Camelo em Juiz de Fora. E assim a motivação para atualizá-la se perdeu. Restam vídeos inéditos, mas não sei se os colocarei no ar.

É como se os tempos de amadorismo apaixonado tenham ficado pra trás. Com o Pelas Tabelas, minha persona real acabou aparecendo e o personagem perdeu o sentido. Levo na bagagem o seu legado, Pindzim, e não apagarei o seu nome. Que continue sendo a marca deste blog e uma lembrança permanente, como a música que o fez (ou faz) onipresente.

Os próximos passos serão fazer uma reformulação geral no visual do blog para aos poucos ir retomando os textos críticos e especialmente os informativos, enquanto eu e Pablo vamos tocando nossos novos projetos audiovisuais.

Este é o último texto assinado sob a alcunha de Pindzim. Em seguida, quem assume sou eu mesmo, em carne e osso: Caio Jobim. Sejam benvindos!

Agô!

sábado, 13 de março de 2010

A 2ª temporada do Pelas Tabelas


Tamanha ausência sem qualquer tipo de satisfação aos meus parcos leitores vai contra as regras fundamentais que me dariam alguma chance de mantê-los fiéis. Há mais de um mês, quem passa por aqui não encontra nada de novo, além da notícia velha do primeiro clip do novo disco de Cibelle, embora ainda na primeira página encontrem-se reportagens aprofundadas sobre dois lançamentos previstos para este ano sobre os quais ainda não li nada por aí, seja na grande mídia ou na internet: o segundo disco de Rodrigo Maranhão e o projeto que unirá Siba e Fernando Catatau. Não que valham como justificativa para o vazio que aqui se instalou. Este tem outro motivo.

Explico: a última postagem data da primeira semana de produção da segunda temporada do Pelas Tabelas, programa do qual sou responsável, junto com o parceiro Pablo Francischelli, pela direção, roteiro, edição, e tudo o mais que for necessário. Não havia divulgado nada a respeito do 2º ano da série pois estava esperando que a lista dos participantes estivesse 100% fechada. A esta altura estamos com quatro programas gravados, três deles já editados, mas o elenco de compositores não está totalmente definido. Se há entre os leitores deste espaço quem me acompanhe no Twitter, já estará sabendo de algumas novidades.

Por enquanto, do total de 13 programas temos 11 confirmados. Os dois últimos dependem de negociações complicadas que estão em andamento. A ânsia por divulgar a nova escalação é enorme, então, em postagens futuras que prometo para muito em breve, adiantarei algo do que já rolou e do que está para rolar. Quando a lista estiver completa, vocês a encontrarão aqui em primeira mão.

Enquanto isso, informo que a segunda temporada do Pelas Tabelas estreia no dia 14 de maio, sexta-feira, às 21h, no Canal Brasil. Agora temos uma página exclusiva na Globo.com onde podem ser vistos trechos de todos os programas da temporada inicial.

Por outra, não posso garantir que a temática deste espaço nos próximos meses vá muito além do programa, porém, há uma reportagem inédita e, pelo menos até então, praticamente exclusiva, cuja entrevista já foi feita, que está aguardando uma brecha no cronograma de produção para que eu possa deitá-la na tela como ela merece. É, ainda, sobre um dos excelentes frutos da safra 2009, que não teve a repercussão merecida. Trata-se de uma peça híbrida que mistura tradições africanas reprocessadas pelo filtro da nova geração de produtores brasileiros.

Neste ínterim, eu e Pablo também produzimos e gravamos uma sessão em que Yamandu Costa e Guto Wirtti apresentam sete das 11 músicas que estarão presentes no disco que os une em um duo de violão de 7 cordas e baixo, cujo lançamento acontece até o fim deste ano. Logo, logo poderá ser vista na internet. Ou seja, ninguém perde por esperar. 2010 começou bombando.

Aquele abraço e até breve!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Jam da Silva prevê um 2010 intenso

O ano mal começou e o músico pernambucano Jam da Silva já está cheio de projetos. No momento, dedica-se à direção musical e à composição da trilha sonora do curta-metragem Too High To Holla, do diretor Danny Cabeza, cujo currículo indica a participação em filmes holywoodianos como Miami Vice e Brothers. Filmado parte em Los Angeles, parte no Rio de Janeiro, o filme tem como estrela a atriz e modelo brasileira Luisa Moraes, que desde 2008 vem buscando seu espaço no mercado americano com algumas participações pequenas em séries de TV e filmes de menor expressão.

Enquanto isso, aguarda o lançamento da faixa que compôs e produziu ao lado do dj Kayalik, do Massilia Sound System, e que contou com a participação de Luisa Maita. Ainda lá fora, depois de ganhar destaque na programação da BBC britânica, tendo a música "Dia Santo" incluída em compilação do dj britânico Gilles Peterson, Jam começa a encontrar o seu espaço também nos Estados Unidos. A mesma "Dia Santo" tem figurado na programação da rádio KCRW, de Los Angeles, uma das estações mais tradicionais do país.

Além disso, Jam está com viagem marcada para a Europa, onde pretende divulgar o seu trabalho autoral com vistas a realização de shows em um futuro próximo, e participar de gravações com alguns de seus colaboradores franceses, como Moussu T e Sebastien Martel. Antes de embarcar, grava participação no programa Pelas Tabelas, do Canal Brasil, cuja segunda temporada vai ao ar a partir de maio deste ano. Ao seu lado nas telas, estará a conterrânea Isaar, companheira dos tempos de Orquestra Santa Massa e parceira na faixa-título de seu disco de estreia - Dia Santo. Esgotado desde meados do ano passado, o disco está com sua segunda tiragem saindo da fábrica e em breve estará novamente disponível no mercado.

Propostas para a realização de novos shows no Brasil também têm surgido, mas por enquanto ainda não há nenhuma data confirmada.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Pelas Tabelas Curumin e Romulo Fróes no Youtube

Aos poucos o Pelas Tabelas vai se fazendo presente na rede. Agora é a vez do programa que reuniu Curumin e Romulo Fróes e contou com a participação especial de Nuno Ramos e Clima, parceiros de composição do Romulo. Para aqueles que perderam a oportunidade de vê-los na televisão, terão outra chance. Fonte do Canal Brasil me garantiu que a série completa será reprisada ainda este ano. Assim que souber as datas, aviso aqui.

Pelas Tabelas Curumin e Romulo Fróes - Parte 1


Pelas Tabelas Curumin e Romulo Fróes - Parte 2


Pelas Tabelas Curumin e Romulo Fróes - Parte 3

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Pelas Tabelas Gemal e Pontual no Youtube

O Pelas Tabelas com Carlos Pontual e Raphael Gemal é o segundo a cair na rede. Colegas na faculdade de música da UniRio nos anos 90, eles são contemporâneos de Edu Krieger, Pedro Holanda, Rodrigo Maranhão e Rubinho Jacobina. Todos juntos, chegaram a formar um grupo de compositores que chegou a fazer algumas apresentações no Rio com o nome de Mafuá, hoje uma lenda. Esta e outras histórias são contadas pelos próprios nas quatro partes do programa que podem ser vistas abaixo.

Pelas Tabelas Carlos Pontual e Raphael Gemal - Parte 1


Pelas Tabelas Carlos Pontual e Raphael Gemal - Parte 2


Pelas Tabelas Carlos Pontual e Raphael Gemal - Parte 3


Pelas Tabelas Carlos Pontual e Raphael Gemal - Parte 4

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Pelas Tabelas: Romulo Fróes e Curumin, uma improvável parceria


Romulo Fróes se aproximou de Curumin por uma questão prática. Ia gravar o seu segundo disco e queria que algumas músicas tivessem bateria. Através de um amigo comum, foram apresentados e já nesse primeiro encontro rolou o convite por parte de Romulo, prontamente aceito por Curumin. No estúdio, instruído por Romulo , Curumin concebeu o que Romulo chama de bateria de 7 cordas introduzindo ritmos quebrados, estranhos ao samba tradicional.

Vem daí uma certa resistência que os sambistas mais antigos foram nutrindo em relação ao som de Romulo até chegarem ao ponto de abandoná-lo. Cão não foi levado aos palcos por falta de banda, mas também porque quando finalmente o disco foi lançado, Romulo já não estava mais interessado naquele conjunto de canções. Hoje, reconhece que era um disco de transição entre o samba triste de Calado e as múltiplas convenções musicais que viria a desafiar e desconstruir acompanhado por um power trio roqueiro em No Chão sem o Chão, lançado este ano.

O elo entre um momento e outro, involuntariamente, acabou sendo Curumin. Embora não assine nenhuma das 33 composições inéditas do novo disco, Curumin é responsável direto pela nova identidade sonora de Romulo. Por exemplo, Minha Casa, originalmente um samba, foi transformado em um ska pela levada sugerida pelo baterista, conta Romulo. E se o álbum resultou em um conjunto de canções distante do universo musical de Curumin, permitiu a ele desfiar o mais impressionante repertório rítmico de um disco brasileiro em muito tempo.

A praia de Curumin é outra, e Romulo afirma isso com todas as letras revelando a decepção que o guitarrista Guilherme Held teve ao ouvir Japan Pop Show e verificar que as baterias deste disco diferem totalmente das de No Chão sem o Chão. O que os torna próximos é um desapego a escolas e tradições. Mais sobre essa característica e outras particularidades do som de um e de outro, podem ser vistas no Pelas Tabelas, logo mais a noite no Canal Brasil (21h).

No encontro entre os dois no estúdio YB, Romulo pegou uma guitarra, fato nunca antes visto, para tocar "Pra Quem Me Quer Assim" e "Amor Antigo". Na primeira Curumin o acopanha em um set de bateria reduzido, e na segunda, com uma escaleta. Juntos, fazem uma versão caótica de "Caixa Preta".

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Pelas Tabelas: Yamandu e a música de fronteira


Yamandu não gosta de tocar durante uma entrevista. Entre uma resposta e outra os dedos esfriam, reclama, e as suas interpretações são sempre quentes. Pode ser uma valsa chorona, de andamento moderado, como "Aurora", parceria com Hamilton de Holanda em homenagem às suas avós, que por coincidência ostentam o mesmo nome, ou uma música de tradição fronteiriça, alternando-se entre o galope e a contemplação, como a inédita "Sarará", que ele pede que seja utilizada na íntegra na edição do programa. Yamandu está entusiasmado com a nova canção. "Precisa fazer uma letra pra ela, depois", fala para si mesmo antes de cantarolar improvisando alguns versos tendo como inspiração um cavalo baio.

Todo o sentimento que coloca quando toca o violão, Yamandu deixa vazar também quando está à vontade para falar. Naquela noite do princípio de abril, em um bolicho improvisado às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, nós o recebemos com um chimarrão e grandes expectativas. Confortável naquele ambiente, soltou as rédeas da memória remontando as lições caseiras da infância tomadas no convívio com o seu pai, integrante do grupo nativista Os Fronteiriços, primeiro e definitivo mestre, sem esquecer dos que veio a conhecer depois, como o maestro argentino Lucio Yanel, com quem gravou o seu primeiro disco, e o grande Baden Powell, a quem teve a oportunidade de conhecer ao ser convidado a fazer abertura de um show do criador dos afro-sambas em Porto Alegre, quando ainda morava na capital gaúcha.

A grande revelação da entrevista soou um pouco estranha. Yamandu diz estar em um momento da carreira de retorno às origens musicais dentro das quais foi criado. Surpreendeu-nos ao afirmar peremptoriamente que o seu "interesse em música" estava na "música de fronteira" dos pampas, praticada de um lado e de outro das margens do Rio da Prata e de nacionalidade indefinida. É o que ele chama de cultura doble chapa, a um só tempo portuguesa e castelhana.

Em seu último disco de estúdio, Lida (2007), o compositor e violonista já se debruçava sobre a musicalidade e os temas deste universo. Porém, depois do lançamento do disco, vieram os shows em duo com Hamilton de Holanda, que foram gravados mas ainda estão inéditos em disco, e a criação de uma peça orquestral, em parceria com Paulo Aragão, apresentada no final do ano passado ao lado da Orquestra Sinfônica Brasileira.

Conforme aprendera nas lições semanais do pai, comprovou em sua trajetória que só há dois tipos de música: música boa e música ruim. Na dúvida, temendo estabelecer limites para a sua arte, optamos por deixar de fora a declaração que aqui se pode revelar: o garoto de Passo Fundo, que descobriu o mundo através da música, agora busca mergulhar nas raízes musicais dos pampas para reinterpretá-las através das sete cordas do seu violão. Talvez trate-se de uma direção ocasional em sua trajetória enquanto compositor, pois não é razoável supor que o músico deixará de transitar livremente pelos estilos que lhe aprazem. Isso está claro, sem que Yamandu precise dizer qualquer palavra, basta ouvi-lo dedilhar as cordas do seu violão.

Além disso, como recordou, foi como solista de choro que ele primeiro se destacou, especialmente com sua versão de "Brejeiro", de Ernesto Nazareth, no Prêmio Visa. No Rio, aproximou-se com o movimento de renovação da Lapa a partir das rodas de choro comandadas pelo violonista Zé Paulo Becker.

O certo é que, pouco tempo depois das gravações do programa, Yamandu entrou em estúdio com a sua mãe, Clari Marson, para gravar um disco sobre o qual o rótulo de regionalista caíria muito bem. É este artista imprevisível, tal qual o seu estilo ao tocar o violão, que está retratado no Pelas Tabelas que vai ao ar nesta sexta-feira, às 21h, no Canal Brasil, com reprise no domingo, ao meio-dia. Seu companheiro no programa é o bandolinista Hamilton de Holanda

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Pelas Tabelas em sessão nostalgia: Lucas Santtana e Rubinho Jacobina


Coincidentemente, pela segunda semana consecutiva, um dos retratados da edição semanal do Pelas Tabelas está com disco novo circulando na rede. Na segunda-feira da semana passada Vagarosa, de CéU, apareceu em blogs diversos. Nesta segunda foi a vez de Sem Nostalgia, de Lucas Santtana, iberado pelo próprio autorl antes do lançamento da versão física.

Trata-se de um disco de voz e violão, formação clássica da música brasileira, que um pouco por questões práticas, mas também por uma opção estética - a saber: apresentar as composições em sua essência básica - está presente na maior parte dos programas da série.

Primeiro compositor com quem gravamos, Lucas chegou ao alto do Parque da Catacumba, na Lagoa, apenas com o seu violão acústico, sem apetrechos eletrônicos. Falou sobre a sua relação com a música e interpretou algumas canções em versão minimalista, sobre as quais as únicas intervenções exteriores foram os ruídos urbanos. Apesar do cenário bucólico, uma britadeira foi uma interferência constante que não chegou a prejudicar a captação de som. Quando uma buzina intrusa fez-se ouvir durante a execução de "De Coletivo ou de Metrô", respeitou o tom da canção e como se fizesse parte do arranjo.

Nada, entretanto, nada que aproximasse as músicas da sonoridade que Lucas cria em estúdio. No que tange aos números musicais, essa limitação é do maior interesse, bastante diferente mesmo do disco recém-lançado. Com a colaboração de nomes como Curumin, Gustavo Lenza, Buguinha e o Do Amor, entre outors, Lucas extrai do violão sons de guitarra, baixo e bateria.

Baiano herdeiro do Tropicalismo, que tocou flauta nas sessões de gravação de Tropicália 2, de Gil e Caetano, sobrinho de Tom Zé, Lucas retrocede a um tempo anterior ao movimento. Sem Nostalgia é um disco futurista. Denota ousadia em uma época pautada por imediatismos cujos horizontes se limitam à dimensão plana das telas de plasma para as quais os olhos apontam e um ou dois cliques podem alcançar. Mexe com o mestre inspirador João Gilberto em "Super Violão Mashup", revisita a lírica do exílio londrino em parcerias com span style="font-style:italic;">Sem NostalgiaArto Lindsay e com Marcelo Callado e Ricardo Dias Gomes, integrantes da banda Cê de Caetano, vai além do rock que o velho ícone agora redescobre.

Pleno de nostalgia foi o reencontro entre Lucas e Rubinho Jacobina na praia do Forte de São João, na Urca. Amigos de longa data, dos tempos de adolescência, os dois há muito tempo estavam distantes, embora tenham tocado juntos na formação original da Força Bruta, a banda de Rubinho, na virada do século. É desta época a única parceria que compuseram juntos - "Hora de Cuidar".

Musicalmente, tem estilos bastante diferentes. Rubinho é um cancionista, a harmonização de letra e melodia é a sua matéria básica. Lucas é um arquiteto do som, cria estruturas sonoras sobre as quais busca expandir os limites da canção. Do reencontro, porém, podem vir a nascer outras duas parcerias inspiradas uma em João Donato e a outra em Batatinha. O encerramento do programa deixa o futuro em aberto.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Pelas Tabelas: Céu, Beto Villares, o novo e o antigo


Quando gravamos o Pelas Tabelas com CéU e Beto em abril, as últimas sessões de Vagarosa ainda estavam rolando, então eles não quiseram revelar detalhes do disco lançado nesta semana. CéU o definiu como jamaicano, mais banda e com menos beats pré-gravados. A primeira colocação cabe bem ao EP Cangote, mas não compreende o conjunto das canções, vai além. A segunda é irrefutável, mas estes trechos da entrevista acabaram de fora da edição que vai ao ar hoje, logo mais às 21h, no Canal Brasil.

O pouco material diretamente relacionado ao disco aparece em trechos do making of da gravação das faixas "Bubuia" e "Cordão da Insônia". A linha narrativa do programa parte das primeiras notas musicais de ambos, CéU já pensando em ser cantora, descobrindo-se compositora e as experimentações sonoras que resultaram na mais interessante carreira feminina da música brasileira atual; Beto descobrindo a guitarra como porta de entrada para o irrestrito universo sonoro sobre o qual viria a trabalhar como produtor e compositor.

Afirmando estar em uma nova fase na carreira sem oferecer muitas pistas para a compreensão do que viria a ser esta nova fase além das quatro músicas do EP. Mesmo assim, para nós, em nenhum momento ficaram claras as diferenças entre uma fase e outra. E agora, ouvindo o novo disco na íntegra, entende-se que nem para ela mesma. Com sua visão geral de produtor, Beto já identificava algumas das conexões - e também das rupturas - entre o álbum de estreia e o seu sucessor.


É nas entrelinhas, quando o assunto sai do específico e versa sobre o processo criativo colaborativo que rola entre os dois que se pode captar as sugestões evidenciadas pela audição de Vagarosa. Jorge Ben, a música brasileira de domínio público magistralmente registrada por Beto no projeto Música do Brasil, os jogos vocais de coro e resposta. A fase é diferente, mas tais elementos, por ela reconhecidos no disco de estreia, e que à primeira vista ela não identificava durante o processo de gravação do novo trabalho, estão lá.

Na relação musical desenvolvida por eles, cada novo trabalho é um processo de descobertas norteado pela imaginação de sonoridades. Não apenas uma, mas várias, fruto do reprocessamento de influências diversas, que se abrem também aos demais colaboradores. No caso de Vagarosa a lista é extensa. A unidade e o sentido vão ser encontradas no futuro de uma obra ainda tão nova mas que já fez por merecer a classificação de clássica e atemporal.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Chico Pinheiro e André Mehmari amanhã no Pelas Tabelas


No terceiro programa da série, Pelas Tabelas promove o encontro entre a guitarra de Chico Pinheiro e o piano de André Mehmari, com participação especial da cantora Luciana Alves interpretando as quatro canções escolhidas para a ocasião.

Chico e André não chegam a ser parceiros de composição, mas têm pontos musicais em comum - a destacar o pleno domínio técnico dos instrumentos a que se dedicam - e já tocaram juntos algumas vezes. No entanto, trata-se de um encontro pouco comum e, até por isso, histórico.

Os três tocaram juntos pela primeira vez no extinto Tim Festival, em 2004. Chico foi convidado a se apresentar no festival e convidou Mehmari para integrar-se à sua banda especialmente para aquela apresentação. No programa, eles lembram que os ensaios para o show, que aconteceram na casa de Mehmari na Serra da Cantareira, em São Paulo, mesmo local em que foi gravado o programa, selaram a amizade entre eles. Depois, poucas vezes estiveram juntos, seja no palco ou em estúdio. A formação em trio, com piano, guitarra e voz, é inédita na já consagrada carreira de ambos.


Trata-se de um dos programas em que o som é de primeira grandeza, além do que se refere às músicas apresentadas. Explica-se: o registro sonoro foi gravado e produzido pelo próprio Mehmari no estúdio que ele mantém adjacente à sala de sua casa. Três delas podem ser ouvidas no Myspace de Luciana - "Passagem" e "Tempestade", parcerias de Chico Pinheiro e Chico César, e "Vento Bom", de André Mehmari e Sérgio Santos.

Amanhã, às 21h, no Canal Brasil, você é convidado a entrar na sala como um escpectador privilegiado deste sarau caseiro comandado por dois dos maiores instrumentistas da atual geração de compositores brasileiros. Reprise no domingo, às 12h.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Pelas Tabelas - vídeo

Vídeo promocional do programa Pelas Tabelas, no ar desde o dia 5 de junho, no Canal Brasil. Todas as sextas, às 21h, com reprise aos domingos, às 12h.



No programa da próxima sexta, André Mehmari recebe Chico Pinheiro e Luciana Alves em sua casa, onde eles falam sobre as suas afinidades musicais e relembram a primeira vez em que tocaram juntos. Foram poucas, trata-se de um encontro raro.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Release Pelas Tabelas

Abaixo, o release do Pelas Tabelas, com mais informações sobre o programa, a lista completa de participantes e as datas de exibição de cada programa.

PELAS TABELAS


Canal Brasil apresenta projeto que reúne 27 compositores da nova geração da música brasileira em série de 13 programas.


A partir de 5 de junho, às sextas-feiras, na faixa nobre do Canal Brasil.



Horário de exibição: a partir de 5 de junho, às sextas-feiras, às 21h; reprise nos domingos, às 12h.


O projeto Pelas Tabelas faz o registro documental de uma geração de compositores através das relações de parceria e amizade dentro do universo da música brasileira. A cada programa, dois convidados são retratados. A narrativa é construída "pelas tabelas" dos próprios personagens em três situações diferentes: um momento individual com cada um dos convidados e um encontro entre ambos. Os compositores falam sobre suas afinidades musicais, seus processos criativos e suas trajetórias particulares, relembrando músicas marcantes em suas carreiras, desde suas primeiras composições até suas produções mais recentes.


Pelas Tabelas estreia com Rodrigo Maranhão e Edu Krieger relembrando seus tempos de colegas na UniRio e do reencontro agora como dois dos mais respeitados compositores da nova geração da música brasileira. No programa, falam sobre a importância da cantora Maria Rita para a consolidação das carreiras autorais de ambos e se apresentam juntos em um show de voz, cavaquinho e violões na companhia do acordeonista Marcelo Caldi.


No único programa em que a tabela se torna uma triangulação, Moreno Veloso, Domenico Lancelotti e Kassin retomam a formação original do trio em números musicais baseados em guitarra, baixo e MPC. Kassin relembra o dia em que conheceu Moreno, sem saber que se tratava do filho de Caetano Veloso. O trio revela ainda que enquanto projeto musical o +2 cumpriu o objetivo de lançar três discos, cada qual tendo um integrante à frente da banda, e que agora eles devem deixar o nome de lado, embora ainda tocando juntos.


Pelas Tabelas passeia pelos diversos estilos e ambientes da atual música brasileira. Trazendo um acento jazzístico ao projeto, o pianista e compositor André Mehmari abre sua casa na Serra da Cantareira, em São Paulo, para receber o guitarrista e compositor Chico Pinheiro em quatro números musicais que contam com a participação da cantora Luciana Alves.


Até mesmo novas parcerias surgem dos encontros promovidos dentro do Pelas Tabelas. Companheiros de longa data das noites da Lapa, os cariocas Nilze Carvalho e Alfredo del Penho dão o pontapé inicial para a sua primeira parceria em um choro que surge espontaneamente nas escadarias das Casas Casadas, casarão antigo localizado no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro.


Lucas Santtana, Rubinho Jacobina e equipe durante gravação no forte de São João, na Urca, Rio de Janeiro.

Duas possíveis novas parcerias surgem também no encontro da dupla Rubinho Jacobina e Lucas Santtana. Ao fim do encontro, Rubinho convida Lucas a letrar uma música nova. Lucas, em retribuição, também propõem uma parceria a Rubinho, apresentando uma composição sua ainda sem letra.


No ambiente musical paulistano, Pelas Tabelas reúne ainda dois dos mais originais compositores da cena independente nacional. De um lado, Romulo Fróes desmistifica a sua imagem de "sambista triste", apresentando composições do seu álbum mais recente No Chão Sem o Chão, ao lado de seus parceiros e artistas plásticos Clima e Nuno Ramos. Juntos no ateliê de Nuno, eles falam sobre o processo de criação musical coletiva que norteia os trabalhos de Romulo. Do outro lado da tabela, o compositor e multi-instrumentista Curumin apresenta suas músicas e sua poética, inspirada nas ruas da metrópole, comentando a pluralidade ritmica do seu tão aclamado disco Japan Pop Show - escolhido pela Rolling Stone brasileira como um dos dez melhores discos nacionais de 2008. No encontro de ambos, um momento raro: Romulo troca seu habitual violão por uma guitarra semi-acústica, improvisando riffs insólitos ao acompanhar Curumin no proto-funk carioca "Caixa Preta".


Ainda na cena paulistana, Céu e Beto Villares se encontram no Estúdio Ambulante, local onde está sendo gravado o novo disco da cantora e compositora. Eles falam sobre a busca de uma sonoridade própria e original em seus trabalhos e relembram algumas parcerias. Sobre "Valsa Para Biu Roque", revelam que a música foi inspirada em uma canção de domínio público - "Maria, Minha Maria" - gravada pelo próprio Biu Roque em disco do compositor pernambucano Siba. Essa música é executada com exclusividade no programa Pelas Tabelas, tendo Beto Villares no violão e Céu no vocal.


Mostrando também a influência da cena pernambucana na música brasileira atual, Pelas Tabelas dedica um programa aos compositores Junio Barreto e Fabio Trummer - este da banda Eddie. Eles recriam o processo de composição de "Quase Não Sobra Nada", primeira e única parceria de ambos, presente no novo disco do Eddie (Carnaval no Inferno). Os dois falam também sobre o forte núcleo musical pernambucano presente em São Paulo atualmente.


Os pernambucanos Fábio Trummer e Junio Barreto conversam e tocam em torno de uma mesa de bar em São Paulo.

Dois dos maiores expoentes da música instrumental brasileira também marcam presença no Pelas Tabelas. Yamandu Costa e Hamilton de Holanda travam duelos furiosos entre o violão de sete cordas do gaúcho e o bandolim singular de Hamilton.


A poesia de Fernando Pessoa é o ponto de partida do encontro entre Vitor Ramil e Fred Martins, resultando em um programa inusitado. Mesmo sem se conhecerem previamente e tendo em comum apenas a adaptação do poema "Noite de São João", de Pessoa, os compositores se encontram pela primeira vez no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, para um diálogo sobre a herança musical brasileira em suas respectivas obras e o diálogo com a literatura em seus trabalhos.


Concebido e dirgido pelos gaúchos Caio Jobim e Pablo Francischelli e produzido pela Carioca Filmes, Pelas Tabelas produz um diálogo criativo entre alguns dos autores contemporâneos da nossa música, esboçando um desenho do momento efervescente da música brasileira. Mais do que falar de nomes isolados ou de tentar identificar movimentos pontuais, Pelas Tabelas documenta as conexões e as relações dentro desse universo, bem como as músicas e ideias geradas dentro dele.


Os programas tem duração de 25 mintutos e vão ao ar sextas-feiras, às 21h, com reprise aos domingos, às 12h, no Canal Brasil.


Exibição dos programas:


05 de junho - Rodrigo Maranhão e Edu Krieger

12 de junho - +2 (Moreno, Kassin e Domenico)

19 de junho - André Mehmari e Chico Pinheiro

26 de junho - Nilze Carvalho e Alfredo del Penho

3 de julho - Raphael Gemal e Carlos Pontual

10 de julho - Céu e Beto Villares

17 de julho - Rubinho Jacobina e Lucas Santtana

24 de julho - Junio Barreto e Fábio Trummer

31 de julho - Yamandu Costa e Hamilton de Holanda

7 de agosto - Romulo Fróes e Curumin

14 de agosto - Vitor Ramil e Fred Martins

21 de agosto - Pedro Luis e Lula Queiroga

28 de agosto - Siba e Roberto Correa


Ficha Técnica:


Realização: Canal Brasil

Produção: Carioca Filmes

Concepção, direção, roteiro e edição: Caio Jobim e Pablo Francischelli

Produção Executiva: Cristoph Dubnitz e Cristina Linhares

Direção de fotografia e câmera: Julia Schmidt e Rita Albano

Técnico de som: Breno Furtado

Assistência de direção: Fernanda Miranda

Coordenação de produção: Kiko Fisher

Trilha de abertura: Flu e Benjão

Pelas Tabelas - compositores da cena atual no Canal Brasil


Desde a postagem sobre o carnaval de rua carioca, este blog andou abandonado e Pindzim ausente do mundo virtual. Agora, na próxima sexta, virá à luz a razão de tamanho hiato. Estreia no Canal Brasil, às 21h, o programa Pelas Tabelas, do qual sou idealizador e diretor ao lado de Pablo Francischelli. Foram três meses de trabalho ininterrupto que absorveram todas as nossas atenções e energias.

Trata-se de uma série de 13 programas que retrata 27 compositores da atual geração da música brasileira. Em cada episódio, uma dupla é convidada. Na estreia, Edu Krieger e Rodrigo Maranhão falam sobre o desenvolvimento de suas carreiras em paralelo, passando pelos tempos de estudantes de música na Unirio, onde tocaram juntos no Mafuá, grupo que tinha entre os seus integrantes Pedro Holanda, Rubinho Jacobina, Raphael Gemal e Carlos Pontual (os três últimos têm também seus próprios programas na série), a revitalização da Lapa e do carnaval de rua do Rio e os seus trabalhos autorais como compositores.

As duas últimas postagens, com CéU e Siba, já eram uma pista do que vem por aí. Nos próximos meses, além de postagens sobre o que rolou durante a produção do programa, notícias sobre os participantes devem ir pintando aqui e ali. É quase certo que o espaço aqui vai ficar mais movimentado.

Pelas Tabelas vai ao ar semanalmente, às 21h de sexta-feira, com reprise aos domingos, às 12h. Contamos com a audiência de todos!