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sexta-feira, 14 de março de 2008

Marcelo Campello deixa o Mombojó

A notícia oficial da saída do compositor e multi-instrumentista, Marcello Campelo, foi publicada no site da banda em 5 de março e vem provocando alguns debates no Orkut. Entre os 95 comentários postados até agora, destaca-se um do vocalista Felipe S, ao qual os fãs não deram nenhuma atenção até agora. As palavras dele: "eu também acho que ele era o melhor músico da banda, mas um grupo só da certo quando todos os integrantes tem o mesmo objetivo em comum". Lida em conjunto com a declaração de que ele "agora trilhará caminhos musicais próprios" denota que havia uma incompatibilidade entre os caminhos que a banda vinha seguindo e o espaçao que lhe cabia nesta nova fase enquanto um músico de múltiplas habilidades.

Já no segundo disco, Homem-espuma, as músicas não permitiam o encaixe de um violão de sete cordas ou um cavaquinho, mesmo que tocado de forma não convencional. Tais instrumentos estão ali, mas pouco se fazem ouvir, quase ocultos em um álbum de sonoridade eminentemente elétrica. A contribuição de Marcelo aos arranjos destaca-se muito mais quando ele está ao trompete.

No ano passado, Marcelo lançou um disco solo instrumental bastante experimental em que toca apenas o violão de 7 cordas. Em entrevista ao Blog do Pindzim à época do lançamento, ele declarou: "é difícil viabilizar tecnicamente o violão em meio àquele volume todo, procuramos criar momentos específicos para ele". E uma fatalidade veio a tornar estes momentos ainda mais raros. A morte de O Rafa representou, para a musicalidade do Mombojó, a perda de metade de seu componente 'erudito'.

O Rafa e Marcelo Campello - a dupla "erudita" do Mombojó

Após um recesso natural, a banda voltou aos palcos com uma formação em que Marcelo Campello assumiu um novo instrumento - uma guitarra eletro-acústica. É possível que limitado a este instrumento, pelo menos em apresentações ao vivo, e sem o seu parceiro de cadeira, Marcelo tenha visto os seus horizontes musicais cada vez mais estreitos dentro da perspetiva da banda. Daí a separação. Mas, por enquanto, a única conclusão certeira e definitiva é que se trata de mais uma perda inestimável para o Mombojó. Felicidades a quem fica e a quem parte.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Marcelo Campello: projeções em sete cordas

Marcelo Campello está no Rio de Janeiro onde faz hoje, na Casa da Gávea, às 21:00, o show de lançamento do seu primeiro disco solo, Projeções e mais duas séries para violões de sete cordas, e no sábado se apresenta com o Mombojó, no Circo Voador. Embora o violão de sete cordas seja utilizado em algumas músicas da banda pernambucana, Marcelo Campello surpreende pela maturidade que apresenta como compositor neste primeiro trabalho instrumental, aproximando-se da música erudita, experimentando dissonâncias, flertando com a atonalidade, dialogando com o silêncio, transgredindo a lógica do andamento das canções, mesmo que suas referências no instrumento venham todas de músicos da tradição popular. Normalmente utilizado como instrumento de acompanhamento em conjuntos de samba e choro, na obra de Marcelo Campello o violão de sete cordas assume o primeiro plano, tanto no momento da composição quanto no da execução das músicas. Gravado em Recife, no ano passado, Projeções e mais duas séries para violões de sete cordas é composto por 35 músicas divididas em três movimentos, todas executadas somente no violão: Projeções, Soturnos e Sonhos. O Blog do Pindzim conversou com o jovem compositor sobre a sua relação com o instrumento que resultou em um disco belo e singular.

Pindzim: Como se deu seu primeiro contato com o violão de sete cordas e a partir de que momento você resolveu estudá-lo a ponto de incorporá-lo às suas atividades como músico?
Marcelo Campello: Comecei com o de seis, tirava umas fitas antigas de Canhoto da Paraíba de ouvido. Em uma delas ele era acompanhado por Bozó, 7 cordas lá de Recife que é da escola de Horondino Silva. Na época do vestibular eu entrei no conservatório para aprender a ler partitura e Bozó ensinava lá, daí eu colei na dele. Ele me ensinou a técnica do polegar com apoio dos chorões, que eu uso até hoje só que com algumas particularidades. Como não preciso extrair tanto volume do instrumento, preocupo-me com um timbre mais grave e etéreo na mistura de unha e carne.

Pindzim: Em que circunstâncias se deu e como foi o seu encontro com Canhoto da Paraíba?
Marcelo Campello: Um amigo meu, José Vasconcelos Vieira, produziu há alguns anos um documentário sobre a vida de Canhoto que conta com depoimentos de uma turma grande, Paulinho da Viola etc. Quando lancei o disco ele ouviu e comentou que estava indo visitar Canhoto em Maranguape, e me convidou. Fomos, passamos uma tarde inteira conversando, ouvindo belas histórias, ouvimos meu disco juntos e ele comentava nas passagens sorrindo: "bonito!". Fiquei muito feliz.

Pindzim: O violão de sete cordas é um instrumento característico do samba e do choro, de acompanhamento. Você já citou o estilo de Dino 7 Cordas como sendo a sua grande escola, mas no disco Projeções e mais duas séries para violões de sete cordas você se mantém distante deste universo, mergulhando em experimentações. De que maneira a tradição do violão de sete cordas influenciou as suas composições? Se é que exerceu alguma influência. Quais foram as influências e inspirações para compor as músicas presentes no disco?
Marcelo Campello: As influências violonísticas vieram muito no princípio, principalmente Canhoto e Garoto. Depois elas vêm da vida mesmo, já não busco referências fora de mim.

Pindzim: Qual distinção você faz entre os três movimentos do disco, Projeções, Soturnos e Sonhos?
Marcelo Campello: São séries relativas a momentos pessoais de minha vida. Sonhos é o princípio da dormência, mais ingênua e leve. É a série mais antiga, de 2002. Soturnos foi um período muito difícil, inclusive com um acidente grave de carro em 2004. Projeções é sobre sair do corpo e se olhar de uma perspectiva externa.

Pindzim: As músicas presentes no disco foram compostas ao longo de quatro anos. Quando você decidiu que era a hora de registrá-las em disco?
Marcelo Campello: Havia muitas composições já, não é simples manter um repertório de 35 peças. Decidi registrar para fazer um "backup" e esvaziar a mente para compor mais.

Pindzim: Como o violão de sete cordas foi incorporado à musicalidade peculiar do Mombojó?
Marcelo Campello: É difícil viabilizar tecnicamente o violão em meio àquele volume todo, procuramos criar momentos específicos para ele.

Pindzim: No Mombojó, o violão de sete cordas é utilizado, principalmente, em canções que se aproximam do samba, e até se faz menos presente no Homem-espuma, você concorda? A partir das músicas deste disco solo, você foi vislumbrando outras possibilidades de utilizá-lo em seu trabalho com a banda?
Marcelo Campello: Não consigo fazer associações deste meu disco com a banda, são funções absolutamente distintas. Projeções é pra acalmar, Mombojó é pra agitar.

Projeções e mais duas séries para violões de sete cordas pode ser encomendado através da Livraria Cultura. Algumas músicas podem ser ouvidas no myspace, onde há um link para baixá-lo na íntegra; e estará a venda no show de hoje a noite.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Agenda Rio - Semana 28/05 a 03/06

Mais uma semana com excelentes atrações nos palcos cariocas. O ponto alto da semana é o sábado, 2 de junho, em que o Circo Voador vai abrigar o show de duas das melhores bandas e em atividade. Do Rio, Kassin+2, junto com os pernambucanos do Mombojó. Veja abaixo as dicas do Pindzim:

28 Segunda-feira: Marcelinho da Lua na Modern Sound
Hoje, o dj e produtor carioca Marcelinho da Lua promove o lançamento do seu segundo disco, Social, no palco do Allegro Bistrô Musical. O sucessor de Tranquilo, eminentemente eletrônico, traz uma sonoridade mais orgânica, em que os samplers abrem mais espaços aos instrumentos tradicionais. Quatro músicas podem ser ouvidas no myspace. As composições se estruturam a partir da melodia combinada ao beat acelerado do DJ, próprio às pistas de dança. A participação de convidados de tendências diversas expandem o painel rítmico e sonoro do DJ. "Ela Partiu", de Tim Maia, com os gaúchos da Ultramen, virou um reggae clássico apimentado pelos beats de Marcelinho, ora em sincronia com a guitarra, ora ditando um ritmo proeminentemente dançante. B Negão, que participa do show, aproxima o rap da gafieira adubada pela eletrônica em "Fundamental". A cantora Marcela Mangabeira também faz participação esta noite.
Local: Modern Sound - Rua Barata Ribeiro, 502 – D - Copacabana.
Horário: 19:00
Ingresso: Grátis
Informações e reservas no site da loja.

29 Terça-feira: Flu no Cinematèque Jam Club
O músico gaúcho radicado no Rio de Janeiro apresenta "Música Desenhada", show audiovisual com intervenções gráficas do cartunista Allan Sieber. Acompanhado por Benjão e Marcelo Callado, Flu apresenta sua musicalidade acústico-eletrônico-psicodélica, com pitadas de bossa e lullabies, além de músicas do pseudo-álbum "As Coisas Boas da Vida", cujo vídeo de divulgação pode ser visto no youtube. Os Subterrâneos abrem a noite.
Local: Cinematèque Jam Club - Rua Voluntários da Pátria, 53 - Botafogo.
Horário: 22:00
Ingressos: 20,00 (Inteira) / R$ 10,00 (Lista Amiga)

29 Terça-feira: Max Sette no Estrela da Lapa
O trompetista da Orquestra Imperial assume o microfone para mostrar as canções de seu disco de estréia como compositor, "Parábolas ao Vento", e recebe os convidados Rubinho Jacobina e Wilson das Neves, seu parceiro no samba "Era Bom". "Gomalina", já conhecida das apresentações com a Orquestra também está no repertório.
Local: Estrela da Lapa - Av. Mem de Sá, 69 - Lapa.
Horário: 22:00
Ingressos: R$ 15,oo
Informações e reservas no site da casa.

30 Quarta-feira: Rodrigo Maranhão no Centro Cultural Carioca
Última chance para assistir o show de lançamento de Bordado, disco de estréia do compositor carioca. Disco e show já foram comentados aqui neste blog, portanto não há muito mais a ser dito a não ser que é imperdível. Rodrigo Maranhão transpõem a delicadeza de suas composições para o palco com o apoio de seus antigos companheiros do Bangalafumenga e do acordeão de Marcelo Caldi respeitando o formato acústico registrado no disco.
Local: Centro Cultural Carioca - Rua do Teatro, 37 - Praça Tiradentes, Centro.
Horário: 21:00
Couvert Artístico: R$ 20,00
Informações e reservas no site do CCC.

30 Quarta-feira: Marcelo Campello na Casa da Gávea
Integrante do Mombojó, banda na qual toca violão de 7 cordas, cavaquinho, escaleta e trompete, Marcelo Campello lançou este ano um disco solo instrumental dedicado exclusivamente ao violão de 7 cordas que em nada se aproxima do som de sua banda ou mesmo do formato tradicional da canção. Projeções e mais duas séries para violão de sete cordas apresenta um músico maduro, apesar de ter apenas 24 anos, experimentando as possibilidades do seu instrumento para além das tradições do samba e do choro. Atonalidade, dissonâncias e o silêncio dão forma às composições presentes no disco que Marcelo vai apresentar neste show de lançamento aqui no Rio. O palco da Casa da Gávea é o lugar perfeito se admirar o músico desnudando suas intimidades musicais através das sete cordas do seu violão.
Local: Casa da Gávea - Praça Santos Dumont, 116 Sobrado - Baixo Gávea.
Horário: 21:00
Ingressos: R$ 10,00
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31 Quinta-feira: Flávia Bittencourt com Zé da Velha e Silvério Pontes no Trapiche da Gamboa
A cantora maranhense que gravou "Parangolé" no disco Samba Novo, projeto coletivo produzido por Rodrigo Maranhão que apresenta alguns dos nomes que vem revitalizando o samba carioca, se apresenta ao lado dos mestres Zé da Velha e Silvério Pontes. No repertório, clássicos do samba e canções de Sentido, disco de estréia da cantora lançado em 2005 que explora as tradições musicais do Maranhão.
Informações a respeito não disponíveis.
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1° Sexta-feira: Canastra no Teatro Odisséia
A banda carioca apresenta na casa da Lapa o segundo show de lançamento do disco Chega de Falsas Promessas, que pode ser encontrado nas bancas de todo o país encartado na revista Outra Coisa. Participação especial da cantora Érika Martins.
Local: Teatro Odisséia - Av Mem de Sá - Lapa.
Horário: 22:00
Ingressos: 20,00 (Inteira) / R$ 16,00 (Com filipeta)
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2 Sábado: Mombojó e Kassin+2 no Circo Voador
Como se já não fosse sensacional a volta do Mombojó ao Rio de Janeiro após longa ausência, os pernambucanos vão ter Kassin+2 fazendo as honras da casa. Após bem-sucedida turnê pela Europa e matéria elogiosa na Rolling Stone americana, a banda de Moreno Veloso, Domênico Lancelotti e Kassin se apresenta o show do disco Futurismo, no Circo Voador, enquanto o Mombojó volta à cidade com o show do disco Homem-espuma depois da elogiada apresentação no palco principal da edição 2006 do Tim Festival. Dois motivos para encarar a confusão na Lapa apesar do evento cervejeiro na vizinha Fundição.
Local: Circo Voador - Arcos da Lapa - Lapa.
Horário: 23:00
Ingressos: 30,00 (Inteira) / R$ 15,00 (Estudante)