O ano mal começou e o músico pernambucano Jam da Silva já está cheio de projetos. No momento, dedica-se à direção musical e à composição da trilha sonora do curta-metragem Too High To Holla, do diretor Danny Cabeza, cujo currículo indica a participação em filmes holywoodianos como Miami Vice e Brothers. Filmado parte em Los Angeles, parte no Rio de Janeiro, o filme tem como estrela a atriz e modelo brasileira Luisa Moraes, que desde 2008 vem buscando seu espaço no mercado americano com algumas participações pequenas em séries de TV e filmes de menor expressão.
Enquanto isso, aguarda o lançamento da faixa que compôs e produziu ao lado do dj Kayalik, do Massilia Sound System, e que contou com a participação de Luisa Maita. Ainda lá fora, depois de ganhar destaque na programação da BBC britânica, tendo a música "Dia Santo" incluída em compilação do dj britânico Gilles Peterson, Jam começa a encontrar o seu espaço também nos Estados Unidos. A mesma "Dia Santo" tem figurado na programação da rádio KCRW, de Los Angeles, uma das estações mais tradicionais do país.
Além disso, Jam está com viagem marcada para a Europa, onde pretende divulgar o seu trabalho autoral com vistas a realização de shows em um futuro próximo, e participar de gravações com alguns de seus colaboradores franceses, como Moussu T e Sebastien Martel. Antes de embarcar, grava participação no programa Pelas Tabelas, do Canal Brasil, cuja segunda temporada vai ao ar a partir de maio deste ano. Ao seu lado nas telas, estará a conterrânea Isaar, companheira dos tempos de Orquestra Santa Massa e parceira na faixa-título de seu disco de estreia - Dia Santo. Esgotado desde meados do ano passado, o disco está com sua segunda tiragem saindo da fábrica e em breve estará novamente disponível no mercado.
Propostas para a realização de novos shows no Brasil também têm surgido, mas por enquanto ainda não há nenhuma data confirmada.
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Jam da Silva e Luisa Maita juntos em faixa de DJ francês
O DJ Kayalik do grupo francês Massilia Sound System queria uma voz em português para cantar em uma faixa de seu projeto solo de dancehall. Mandou as bases para Jam da Silva, aqui no Brasil, que compôs uma letra em português e convidou Luisa Maita para colocar a voz. A cantora ainda contribuiu com a melodia da canção, que está pronta e será lançada em um single no mercado francês, ainda sem data definida. O resultado ficou tão bom e agradou tanto aos envolvidos que é possível que uma segunda parceria entre os três acabe por se concretizar muito em breve.
Kaialik, Jam e Luisa em fotomontagem
Kaialik, Jam e Luisa em fotomontagem
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Blecaute frustra Blind Date de Dolores e Naná
Há sete anos atrás, DJ Dolores (na foto ao lado) lançou o disco Contraditório e criou um novo significado para a expressão 'disc jockey' no âmbito da música brasileira. Não foi uma empreitada solitária. O resultado daquela que pode ser considerada a sua obra prima foi alcançado com o apoio da Orquestra Santa Massa, um conjunto de instrumentistas também compositores que vêm inscrevendo seu nome na história a partir do movimento mangue-bit. Entre eles, havia um percussionista à época intitulado Mr Jam, hoje conhecido por Jam da Silva.
Lembro disso, porque na última terça-feira, no Rio, DJ Dolores subiu ao palco com "O" monstro sagrado da percussão brasileira - Naná Vasconcelos (na foto ao lado) - em um show-espetáculo intitulado Blind Date, em edição especial do Multiplicidade, evento em que Jam da Silva se apresentara há duas semanas atrás. A proposta da dupla era fazer um som improvisado a partir dos beats disparados pelo DJ. O seguiam na jam uma banda com quatro músicos, tocando sax, trombone, baixo e percussão e Naná.
A sessão mal começara e ia se arrastando monotonamente, apesar da altura absurda do som, cujos graves faziam reverberar a estrutura do teatro. À repetição da batida, os músicos iam reproduzindo as mesmas frases instrumentais enquanto, no canto do palco, Naná, inexplicavelmente, reduzia sua participação a gritos guturais reprocessados por um pedal e a toques esporádicos em sua árvore de tamborins - uma estrutura vertical em que duas sequências de cinco tamborins podem ser tocadas sincronicamente a partir de um único movimento.
Menos de meia-hora havia se passado quando o encontro às cegas virou um encontro às escuras. Mas não só, pois a queda de energia emudeceu instrumentos e o computador de Dolores, sua central de beats e programações. No aguardo da restauração da luz, Naná se beneficiou de sua fama e exercitou sua porção 'entertainer', que, hoje em dia, parece mais afiada do que a sua porção musical. E a plateia que tinha ido lá para vê-lo tocar, tornou-se o instrumento de Naná. Regendo a multidão, iludiu a todos induzindo-os a pensar que estavam fazendo música. Mas não importava, a grande maioria parecia finalmente se divertir, o que não tinha acontecido durante o espetáculo propriamente dito.
Encerrada a pantomima, se recolheu, mas foi incitado a continuar. Resmungou, mas acabou cedendo quando lhe entregaram um berimbau. Sem muita inspiração, aceitou a condição de salvar a noite. Quando o enfado novamente tomava conta do público, a esta altura já ciente da extensão e da gravidade do apagão, convocou os músicos da banda a se juntarem a ele. Puxou um frevo e todos voltaram a se animar. Dolores atacou de agogô, mas ficou claro que sua intimidade com instrumentos orgânicos não chega nem perto de sua habilidade em manipulá-los eletronicamente. "Cidade Maravilhosa" veio em seguida, mas aí a ironia ultrapassou todos os limites do bom senso e da minha paciência. Não fiquei para ver o resto.
Do encontro de dois grandes nomes da música brasileira, de gerações diferentes, o saldo é quase vexatório. O pouco que se viu já permitiu um vislumbre do todo. Dolores retrocedeu ao passado de Contraditório, apesar dos eflúvios eletrônico-jazzísticos evocados pela combinação de seus ritmos com a banda ao seu redor. Sua proposta para a Blind Date caberia muito bem em uma pista de dança, onde Naná seria totalmente dispensável, mas no palco de um teatro soa apenas maçante.
E é aí que cabe a lembrança do primeiro parágrafo. No universo da percussão brasileira que extrapola as fronteiras do convencional deve-se ouvir Jam da Silva (na foto acima). Nas suas mãos, o berimbau soa como guitarra, é harmônico e melódico a um só tempo; os ritmos guiam as melodias; a voz é instrumento delicado e a percussão não tem um fim em si mesma, não prescinde dos demais instrumentos. Jam faz música.
Lembro disso, porque na última terça-feira, no Rio, DJ Dolores subiu ao palco com "O" monstro sagrado da percussão brasileira - Naná Vasconcelos (na foto ao lado) - em um show-espetáculo intitulado Blind Date, em edição especial do Multiplicidade, evento em que Jam da Silva se apresentara há duas semanas atrás. A proposta da dupla era fazer um som improvisado a partir dos beats disparados pelo DJ. O seguiam na jam uma banda com quatro músicos, tocando sax, trombone, baixo e percussão e Naná.A sessão mal começara e ia se arrastando monotonamente, apesar da altura absurda do som, cujos graves faziam reverberar a estrutura do teatro. À repetição da batida, os músicos iam reproduzindo as mesmas frases instrumentais enquanto, no canto do palco, Naná, inexplicavelmente, reduzia sua participação a gritos guturais reprocessados por um pedal e a toques esporádicos em sua árvore de tamborins - uma estrutura vertical em que duas sequências de cinco tamborins podem ser tocadas sincronicamente a partir de um único movimento.
Menos de meia-hora havia se passado quando o encontro às cegas virou um encontro às escuras. Mas não só, pois a queda de energia emudeceu instrumentos e o computador de Dolores, sua central de beats e programações. No aguardo da restauração da luz, Naná se beneficiou de sua fama e exercitou sua porção 'entertainer', que, hoje em dia, parece mais afiada do que a sua porção musical. E a plateia que tinha ido lá para vê-lo tocar, tornou-se o instrumento de Naná. Regendo a multidão, iludiu a todos induzindo-os a pensar que estavam fazendo música. Mas não importava, a grande maioria parecia finalmente se divertir, o que não tinha acontecido durante o espetáculo propriamente dito.
Encerrada a pantomima, se recolheu, mas foi incitado a continuar. Resmungou, mas acabou cedendo quando lhe entregaram um berimbau. Sem muita inspiração, aceitou a condição de salvar a noite. Quando o enfado novamente tomava conta do público, a esta altura já ciente da extensão e da gravidade do apagão, convocou os músicos da banda a se juntarem a ele. Puxou um frevo e todos voltaram a se animar. Dolores atacou de agogô, mas ficou claro que sua intimidade com instrumentos orgânicos não chega nem perto de sua habilidade em manipulá-los eletronicamente. "Cidade Maravilhosa" veio em seguida, mas aí a ironia ultrapassou todos os limites do bom senso e da minha paciência. Não fiquei para ver o resto.
Do encontro de dois grandes nomes da música brasileira, de gerações diferentes, o saldo é quase vexatório. O pouco que se viu já permitiu um vislumbre do todo. Dolores retrocedeu ao passado de Contraditório, apesar dos eflúvios eletrônico-jazzísticos evocados pela combinação de seus ritmos com a banda ao seu redor. Sua proposta para a Blind Date caberia muito bem em uma pista de dança, onde Naná seria totalmente dispensável, mas no palco de um teatro soa apenas maçante.
Naná, por sua vez, há tempos assume-se como simulacro do gênio que um dia foi e em algum momento se acomodou e adormeceu. Hoje, seu som é apenas barulho, muitas vezes desagradável.
E é aí que cabe a lembrança do primeiro parágrafo. No universo da percussão brasileira que extrapola as fronteiras do convencional deve-se ouvir Jam da Silva (na foto acima). Nas suas mãos, o berimbau soa como guitarra, é harmônico e melódico a um só tempo; os ritmos guiam as melodias; a voz é instrumento delicado e a percussão não tem um fim em si mesma, não prescinde dos demais instrumentos. Jam faz música.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Jam da Silva recebe Chico Neves em show inédito
Responsável por Dia Santo, um dos grandes discos da música brasileira contemporânea, Jam da Silva tem tido poucas oportunidades de apresentá-lo ao vivo. Até agora, rolaram shows apenas em São Paulo (um), Rio (um) e Recife (dois). Na verdade, o problema não são as oprtunidades, vez ou outra elas aparecem, afirma Jam. Porém, nem sempre a contento. O seu set necessita de uma bateria desmembrada e a banda inclui outros quatro músicos - Marion Lammonier, (teclado e programações) Garnizé (percussão), Gustavo Corsi (guitarra) e Marcio Alencar (baixo), além de um integrante extramusical, responsável pelas sugestivas e belas projeções visuais que ilustram as músicas. Ou seja, o show tem um apuro de som e imagem que exige determinadas condições técnicas para realizá-lo tal como foi idealizado.
Mesmo assim, nesta quinta-feira, no Rio, Jam aproveita o convite para participar da edição 2009 do projeto Multiplicidade para apresentar um show novo - e possivelmente único - ao lado do coletivo O Estúdio.
Mais do que utilizar o convite para levar Dia Santo novamente ao palco, Jam resolveu criar um espetáculo inédito, no qual terá ao seu lado, além da banda completa, Chico Neves - produtor do álbum, no qual toca instrumentos diversos em quase todas as faixas e ainda é coautor de algumas delas, como "Mania" e "Samba Devagar".
Trocamos algumas ideias durante o processo de criação deste show. Sempre entusiasmado, Jam antecipou um pouco do que será visto amanhã. Em agosto, quando tinha apenas ideias na cabeça e nada definido, contou que o repertório teria apenas cinco músicas de Dia Santo. O resto seriam criações novas, com arranjos baseados no ritmo e em seus inúmeros desdobramentos. "Vou samplear as percussões na hora, então berimbau vai sair com som de teclado, por exemplo", explicou.
Há um mês atrás, com o processo criativo em andamento, algumas das novas composições já estavam moldadas. "É uma criação diferente da do disco, tem uns experimentos, mas vou fazer algumas coisas do Dia Santo, sim, pois só fiz [o show] uma vez aqui e [ele] continua sendo novo também", contou Jam. "Do jeito que você arma pra tocar, com mais ou menos pessoas, fica novo novamente, diferente", completou. Na época, ele já definira a música de abertura da apresentação. Ainda sem título para a nova canção, definiu-a como "tensa e bela".
Definitivamente, será uma ocasião especial para conferir as criações de um dos mais instigantes - e instigados - compositores brasileiros da atualidade. A apresentação acontece às 19h30, no Oi Futuro, que fica na rua Dois de Dezembro, 63 - Flamengo. Os ingressos já estão a venda e custam R$ 15,00.
Juntamente com o novo espetáculo vem à luz o primeiro clipe de Dia Santo. Editado a partir de uma sequência de imagens estáticas e de sobreposições, reproduz com fidelidade o lirismo cândido da canção que dá nome ao disco, parceria de Jam com Isaar. A direção é de Carolina Sá e tem a participação da atriz Hermilla Guedes.
Mesmo assim, nesta quinta-feira, no Rio, Jam aproveita o convite para participar da edição 2009 do projeto Multiplicidade para apresentar um show novo - e possivelmente único - ao lado do coletivo O Estúdio.
Mais do que utilizar o convite para levar Dia Santo novamente ao palco, Jam resolveu criar um espetáculo inédito, no qual terá ao seu lado, além da banda completa, Chico Neves - produtor do álbum, no qual toca instrumentos diversos em quase todas as faixas e ainda é coautor de algumas delas, como "Mania" e "Samba Devagar".
Trocamos algumas ideias durante o processo de criação deste show. Sempre entusiasmado, Jam antecipou um pouco do que será visto amanhã. Em agosto, quando tinha apenas ideias na cabeça e nada definido, contou que o repertório teria apenas cinco músicas de Dia Santo. O resto seriam criações novas, com arranjos baseados no ritmo e em seus inúmeros desdobramentos. "Vou samplear as percussões na hora, então berimbau vai sair com som de teclado, por exemplo", explicou.
Há um mês atrás, com o processo criativo em andamento, algumas das novas composições já estavam moldadas. "É uma criação diferente da do disco, tem uns experimentos, mas vou fazer algumas coisas do Dia Santo, sim, pois só fiz [o show] uma vez aqui e [ele] continua sendo novo também", contou Jam. "Do jeito que você arma pra tocar, com mais ou menos pessoas, fica novo novamente, diferente", completou. Na época, ele já definira a música de abertura da apresentação. Ainda sem título para a nova canção, definiu-a como "tensa e bela".
Definitivamente, será uma ocasião especial para conferir as criações de um dos mais instigantes - e instigados - compositores brasileiros da atualidade. A apresentação acontece às 19h30, no Oi Futuro, que fica na rua Dois de Dezembro, 63 - Flamengo. Os ingressos já estão a venda e custam R$ 15,00.
Juntamente com o novo espetáculo vem à luz o primeiro clipe de Dia Santo. Editado a partir de uma sequência de imagens estáticas e de sobreposições, reproduz com fidelidade o lirismo cândido da canção que dá nome ao disco, parceria de Jam com Isaar. A direção é de Carolina Sá e tem a participação da atriz Hermilla Guedes.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Dois shows recomendados hoje no Rio: Rodrigo Campos e Jam da Silva
No futebol, costuma-se dizer rodada dupla. Não é exatamente uma sessão dupla, mas quem quiser poderá ir nos dois. E fará bem. O Rio recebe, hoje, dois shows imperdíveis para aqueles ligados no que de melhor tem surgidona prolífica cena musical brasileira atual.
Às 19h30, no Rival, Rodrigo Campos apresenta as canções de São Mateus Não é Um Lugar Assim Tão Longe, lançado há pouco pela Ambulante Discos. É mais uma das boas surpresas surgidas em São Paulo. É fácil associá-lo ao samba, pois de fato há músicas no disco que se enquadram no gênero. A leitura de Rodrigo, no entanto, é diversa, sintetiza o passado e o presente de uma forma incomum. Suas letras recuperam a tradição dos cronistas do samba, como Noel, Elton Medeiros, Nei Lopes e muitas vezes com Paulinho, com quem sua voz guarda semelhanças - pequena e contida - e ao mesmo tempo se aproximam de uma chave diversa, por exemplo, dos sambistas egressos da Lapa Carioca.
O olhar sobre a periferia não exclui a violência latente em suas quebradas dialogando com o rap. Pode ser de uma forma explícita ("California Azul") ou subjacente ("Mangue e Fogo"). Mas também é carregada de humanismo, com seus personagens, fictícios ou não, recorrentes em uma e outra canção. Na terceira pessoa, Rodrigo dá nome próprio a eles, narrando as paixões nutridas nos interstícios de um cotidiano distante do glamour, da felicidade e das facilidades da classe média alta. É no romance, no futebol, na música e na religião que esta população encontra o seu alento.
Mesmo em tal contexto, não há espaço para lamentação. No máximo, Rodrigo oferece um cântico religioso em que professa uma fé cega em um santo desconhecido em "Que Santo É Esse?", talvez, o momento mais bonito do disco, com Luisa Maita nos vocais. A cantora e parceira de Rodrigo faz participação logo mais no Teatro Rival.
Mais tarde, às 22h, no Cinemathèque Música Contemporânea, Jam da Silva apresenta no Rio o show do seu justamente incensado Dia Santo, uma semana depois da estreia afiada em São Paulo. É música nascida do movimento do corpo e que tem também no movimento do corpo o seu fim. É um convite irrecusável à dança. Do primeiro ao último baque percussivo não dá para ficar parado. Um número do show paulista você confere aqui, ou abaixo.
Portanto, não é preciso muito esforço para assistir a ambos. Da Cinelândia até Botafogo não chega a 15 minutos de metrô. Praticamente de porta a porta. Fica a dica.
Às 19h30, no Rival, Rodrigo Campos apresenta as canções de São Mateus Não é Um Lugar Assim Tão Longe, lançado há pouco pela Ambulante Discos. É mais uma das boas surpresas surgidas em São Paulo. É fácil associá-lo ao samba, pois de fato há músicas no disco que se enquadram no gênero. A leitura de Rodrigo, no entanto, é diversa, sintetiza o passado e o presente de uma forma incomum. Suas letras recuperam a tradição dos cronistas do samba, como Noel, Elton Medeiros, Nei Lopes e muitas vezes com Paulinho, com quem sua voz guarda semelhanças - pequena e contida - e ao mesmo tempo se aproximam de uma chave diversa, por exemplo, dos sambistas egressos da Lapa Carioca.
O olhar sobre a periferia não exclui a violência latente em suas quebradas dialogando com o rap. Pode ser de uma forma explícita ("California Azul") ou subjacente ("Mangue e Fogo"). Mas também é carregada de humanismo, com seus personagens, fictícios ou não, recorrentes em uma e outra canção. Na terceira pessoa, Rodrigo dá nome próprio a eles, narrando as paixões nutridas nos interstícios de um cotidiano distante do glamour, da felicidade e das facilidades da classe média alta. É no romance, no futebol, na música e na religião que esta população encontra o seu alento.
Mesmo em tal contexto, não há espaço para lamentação. No máximo, Rodrigo oferece um cântico religioso em que professa uma fé cega em um santo desconhecido em "Que Santo É Esse?", talvez, o momento mais bonito do disco, com Luisa Maita nos vocais. A cantora e parceira de Rodrigo faz participação logo mais no Teatro Rival.
Mais tarde, às 22h, no Cinemathèque Música Contemporânea, Jam da Silva apresenta no Rio o show do seu justamente incensado Dia Santo, uma semana depois da estreia afiada em São Paulo. É música nascida do movimento do corpo e que tem também no movimento do corpo o seu fim. É um convite irrecusável à dança. Do primeiro ao último baque percussivo não dá para ficar parado. Um número do show paulista você confere aqui, ou abaixo.Portanto, não é preciso muito esforço para assistir a ambos. Da Cinelândia até Botafogo não chega a 15 minutos de metrô. Praticamente de porta a porta. Fica a dica.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Jam da Silva estreia show na choperia do Sesc Pompeia
Era pra ter sido no Abril Pro Rock, em Recife, na sua pernambuco natal. O Rio teve sua chance, mas com a cena independente da cidade recolhida por falta de espaços para tocar, é natural que seja em São Paulo. Amanhã, Jam da Silva leva pela primeira vez aos palcos Dia Santo seu aclamado primeiro disco como artista solo, lançado no ano passado.
Será no projeto Prata da Casa, na choperia do Sesc Pompéia, às 21h. A banda que sobe com Jam ao palco é formada por Gustavo Corsi, (ex-Picassos Falsos) na guitarra, Garnizé (ex-F.U.R.T.O e Faces do Subúrbio) na percussão, Marcio Alencar no baixo e a francesa Marion Lemonnier no piano Rhodes, programações, escaleta e vocais.

Compositor gravado por Roberta Sá ("O Pedido", com Junio Barreto) e Elba Ramalho ("Gaiola da Saudade", com Maciel Salu), e parceiro de Marisa Monte em "Desterro" (com Marcelo Yuka), Jam chegou ao disco e agora aos palcos com linguagem própria, adquirida e cultivada em brincadeiras percussivas começadas adolescência, como integrante da orquestra popular do maestro Lima Neto.
Com a banda Dona Margarida e os Fulanos, nascida na efervescência da cena musical pernambucana, Jam experimentou o hip-hop. Mais tarde, veio a integrar a Orquestra Santa Massa, banda que acompanhou o DJ Dolores na gravação de seu primeiro disco (Contraditório).
Sua música não nega influências, sejam locais, como no aboio de "Chuva de Areia", ou exteriores, no hip-hop francês em "Samba Devagar", ou afrobrasileiras no cântico de candomblé de "Agô". É pop, mas não respeita o formato clássico da canção. Soa eletrônico, mas os arranjos são eminentemente orgânicos. Aquilo que a cabeça pensa e imagina é reprocessado pela lógica do movimento do corpo, como o próprio Jam explica:
"Na realidade eu sou um percussionista, eu uso a voz no disco de maneiras diferentes. Em "Mania" eu uso ela mais percussiva, "Samba Devagar" eu uso ela mais falada, "Dia Santo" eu uso ela mais melodicamente. Então tem vários tipos. É o jeito que eu posso me expressar com um movimento de corpo. A música que tá ali é movimento de corpo, é dança. A voz também faz parte disso. Eu não quero ser um cantor pop, não é isso o meu trabalho. É uma coisa de tentar passar o que eu tenho mesmo, que é o movimento do corpo."
É pop, mas não no formato clássico de canção, ou seja não é facil e direto. Ritmo, balanço e melodias, tudo misturado, às vezes em proporções desequilibradas - e por isso mesmo certeiras -, Jam levará ao palco amanhã em São Paulo.
Projeto "Prata da Casa" apresenta Jam da Silva
Data: 09 de junho (terça-feira)
Local: Choperia do SESC Pompéia (Rua Clélia, 93 - Pompéia - tel: 3871 7700)
Horário: 21 horas
Classificação indicativa: 12 anos
Ingressos: Grátis. Retirar convites no dia do espetáculo.
Capacidade: 800 pessoas
Acesso para deficientes – não há estacionamento
Informações: 0800-118220 ou www.sescsp.org.br
Antes tarde do que nunca, o Rio recebe Jam no dia 17 de junho, no Cinematheque.
Será no projeto Prata da Casa, na choperia do Sesc Pompéia, às 21h. A banda que sobe com Jam ao palco é formada por Gustavo Corsi, (ex-Picassos Falsos) na guitarra, Garnizé (ex-F.U.R.T.O e Faces do Subúrbio) na percussão, Marcio Alencar no baixo e a francesa Marion Lemonnier no piano Rhodes, programações, escaleta e vocais.

Compositor gravado por Roberta Sá ("O Pedido", com Junio Barreto) e Elba Ramalho ("Gaiola da Saudade", com Maciel Salu), e parceiro de Marisa Monte em "Desterro" (com Marcelo Yuka), Jam chegou ao disco e agora aos palcos com linguagem própria, adquirida e cultivada em brincadeiras percussivas começadas adolescência, como integrante da orquestra popular do maestro Lima Neto.
Com a banda Dona Margarida e os Fulanos, nascida na efervescência da cena musical pernambucana, Jam experimentou o hip-hop. Mais tarde, veio a integrar a Orquestra Santa Massa, banda que acompanhou o DJ Dolores na gravação de seu primeiro disco (Contraditório).
Sua música não nega influências, sejam locais, como no aboio de "Chuva de Areia", ou exteriores, no hip-hop francês em "Samba Devagar", ou afrobrasileiras no cântico de candomblé de "Agô". É pop, mas não respeita o formato clássico da canção. Soa eletrônico, mas os arranjos são eminentemente orgânicos. Aquilo que a cabeça pensa e imagina é reprocessado pela lógica do movimento do corpo, como o próprio Jam explica:
"Na realidade eu sou um percussionista, eu uso a voz no disco de maneiras diferentes. Em "Mania" eu uso ela mais percussiva, "Samba Devagar" eu uso ela mais falada, "Dia Santo" eu uso ela mais melodicamente. Então tem vários tipos. É o jeito que eu posso me expressar com um movimento de corpo. A música que tá ali é movimento de corpo, é dança. A voz também faz parte disso. Eu não quero ser um cantor pop, não é isso o meu trabalho. É uma coisa de tentar passar o que eu tenho mesmo, que é o movimento do corpo."
É pop, mas não no formato clássico de canção, ou seja não é facil e direto. Ritmo, balanço e melodias, tudo misturado, às vezes em proporções desequilibradas - e por isso mesmo certeiras -, Jam levará ao palco amanhã em São Paulo.
Projeto "Prata da Casa" apresenta Jam da Silva
Data: 09 de junho (terça-feira)
Local: Choperia do SESC Pompéia (Rua Clélia, 93 - Pompéia - tel: 3871 7700)
Horário: 21 horas
Classificação indicativa: 12 anos
Ingressos: Grátis. Retirar convites no dia do espetáculo.
Capacidade: 800 pessoas
Acesso para deficientes – não há estacionamento
Informações: 0800-118220 ou www.sescsp.org.br
Antes tarde do que nunca, o Rio recebe Jam no dia 17 de junho, no Cinematheque.
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