Em março, finalmente, deve chegar às lojas físicas e virtuais o esperado disco do 3 na Massa, projeto de Pupillo e Dengue, baterista e baixista da Nação Zumbi e Rica Amabis, do Instituto em um lançamento da gravadora Deckdisc. Na Confraria das Sedutoras é aguardado desde o fim de 2006, quando as primeiras músicas do trio apareceram no Myspace. O álbum reúne 13 composições do trio, assinadas em parceria com compositores como Jorge du Peixe e Fernando Catatau, na voz de intérpretes do sexo feminino. Não apenas cantoras, como Thalma de Freitas, Lurdes da Luz e Cyz, mas também atrizes. Entre elas, Leandra Leal e Alice Braga. "Doce Guia", de Júnio Barreto, com Céu no vocal, "Tatuí", de Rodrigo Amarante, na voz de Karine Carvalho, e "Estrondo", de Rodrigo Brandão, interpretada por Geanine Marques estão rolando há tempos no Myspace e circulando em mp3 no mundo virtual. Recentemente foram adicionadas "Objeto" com Nina Becker e "Vinheta Pecadora" com Simone Spoladore.
Além das músicas disponíveis no Myspace, a Deckdisc liberou, hoje, a faixa "Lágrimas Pretas", música de Lirinha, do Cordel do Fogo Encantado, com Pitty nos vocais. Ouça aqui enquanto o disco não chega:
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Show: Ana Cañas no Estrela da Lapa
Ana Cañas despontou na cena paulistana cantando standards de jazz no Baretto. Quando montou sua página no Myspace e disponibilizou a primeira música de sua autoria, "Devolve Moço", uma peça primorosa jazz-pop-mpb que combina o scat-singing com um trompete sinuoso sobre uma base de balanço swingado, criou boas expectativas. Despertou o interesse das outroras grandes gravadoras e acabou se tornando a primeira contratada da Day 1 (leia-se Sony BMG). Amor e Caos foi lançado, recebeu ampla cobertura midiática e as críticas foram uniformes: sem dúvida uma grande cantora, de voz firme e potente, mas uma compositora ainda imatura. Esta equação resultou em um disco irregular, com arranjos pop-rock bastante convencionais. Não empolga ou emociona o ouvinte, embora o primeiro single, "A Ana", venha tocando bastante em algumas rádios. A inventividade dos metais e das programações eletrônicas parecem restritas a "Devolve Moço", que na verdade foi gravada sem a participação do produtor Alexandre Fontanetti, antes das sessões de Amor e Caos.
O show de lançamento de Amor e Caos no Rio de Janeiro ofereceu uma perspectiva realista do que Ana Cañas virá a enfrentar antes de se consolidar como cantora e compositora e de formar um público fora dos domínios paulistanos. A grande maioria dos presentes no Estrela da Lapa estava lá para conhecê-la mais a fundo e não poporcionou uma recepção das mais calorosas. O burburinho de vozes no fundo da casa rivalizava com a potência vocal da cantora. Exagerada nos maneirismos em sua performance de palco, por vezes Ana chama mais atenção por sua movimentação corporal, saltos, caras e bocas, o balançar da cabeleira esvoaçante do que pela música. Talvez fosse um artifício para vencer o nervosismo aparente de sua estréia oficial em terras cariocas, embora ela já houvesse se apresentado no palco palco paralelo do Morro da Urca na mesma noite que a colega de gravadora Bebel Gilberto, em janeiro.
No palco fica ainda mais evidente a base roqueira latente no disco. Sua banda é formada por dois guitarristas, baixista, baterista e tecladista. Os covers que ela escolheu para ampliar o repertório do show também: na suave interpretação de "The Wind Cries Mary", de Jimi Hendrix, a melodia vocal ganha uma amplitude que a voz do guitarrista não era capaz de alcançar; "Eu e meu gato" é antes um tributo à Rita Lee do que uma releitura renovada da canção.
A versão estendida de "Coração Vagabundo", com longa introdução em voz e violão, foi a deixa para que Ana tentasse estabelecer uma conexão direta com o público. Com gestos, pediu para que os presentes cantassem junto com ela. A participação começou tímida. Quando deixados a sós na tarefa de cantar, apenas uma ou outra voz se sobrepunha ao dedilhado do violão. No fim, houve mais interação. De sua própria lavra, os pontos altos foram a supra-citada "Devolve Moço", que estabelece uma ponte com o público mais familiarizado às suas canções, e "Mandinga Não", que abriu o show e reapareceu no bis. Uma terceira canção que se destaca em Amor e Caos é a versão de "Super Mulher", de Jorge Mautner. Se no show ela perde a sutileza do arranjo percussivo de Naná Vasconcellos, ganha em energia e intensidade irradiadas pela voz de Ana. Veja:
Entre a instantaneidade do Myspace e o imobilismo da velha indústria cultural, há múltiplas possibilidades. Inclusive, não se deve descartar a associação entre ambos os extremos. Mas o certo é que o céu não está para poucas estrelas solitárias e sim para diversas constelações. A música depende de processos associativos. Ana Cañas conquistou o seu espaço, tem predicados artísticos, mas ainda há uma trilha a ser percorrida até que encontre o seu lugar.
O show de lançamento de Amor e Caos no Rio de Janeiro ofereceu uma perspectiva realista do que Ana Cañas virá a enfrentar antes de se consolidar como cantora e compositora e de formar um público fora dos domínios paulistanos. A grande maioria dos presentes no Estrela da Lapa estava lá para conhecê-la mais a fundo e não poporcionou uma recepção das mais calorosas. O burburinho de vozes no fundo da casa rivalizava com a potência vocal da cantora. Exagerada nos maneirismos em sua performance de palco, por vezes Ana chama mais atenção por sua movimentação corporal, saltos, caras e bocas, o balançar da cabeleira esvoaçante do que pela música. Talvez fosse um artifício para vencer o nervosismo aparente de sua estréia oficial em terras cariocas, embora ela já houvesse se apresentado no palco palco paralelo do Morro da Urca na mesma noite que a colega de gravadora Bebel Gilberto, em janeiro.
No palco fica ainda mais evidente a base roqueira latente no disco. Sua banda é formada por dois guitarristas, baixista, baterista e tecladista. Os covers que ela escolheu para ampliar o repertório do show também: na suave interpretação de "The Wind Cries Mary", de Jimi Hendrix, a melodia vocal ganha uma amplitude que a voz do guitarrista não era capaz de alcançar; "Eu e meu gato" é antes um tributo à Rita Lee do que uma releitura renovada da canção.
A versão estendida de "Coração Vagabundo", com longa introdução em voz e violão, foi a deixa para que Ana tentasse estabelecer uma conexão direta com o público. Com gestos, pediu para que os presentes cantassem junto com ela. A participação começou tímida. Quando deixados a sós na tarefa de cantar, apenas uma ou outra voz se sobrepunha ao dedilhado do violão. No fim, houve mais interação. De sua própria lavra, os pontos altos foram a supra-citada "Devolve Moço", que estabelece uma ponte com o público mais familiarizado às suas canções, e "Mandinga Não", que abriu o show e reapareceu no bis. Uma terceira canção que se destaca em Amor e Caos é a versão de "Super Mulher", de Jorge Mautner. Se no show ela perde a sutileza do arranjo percussivo de Naná Vasconcellos, ganha em energia e intensidade irradiadas pela voz de Ana. Veja:
Entre a instantaneidade do Myspace e o imobilismo da velha indústria cultural, há múltiplas possibilidades. Inclusive, não se deve descartar a associação entre ambos os extremos. Mas o certo é que o céu não está para poucas estrelas solitárias e sim para diversas constelações. A música depende de processos associativos. Ana Cañas conquistou o seu espaço, tem predicados artísticos, mas ainda há uma trilha a ser percorrida até que encontre o seu lugar.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Sonantes: trilha sonora para o cotidiano
Quatro músicas apareceram no Myspace de uma banda denominada Sonantes. Quando exatamente, não se sabe, mas as ondas sonoras logo reverberaram do espaço virtual para o cotidiano tomando de assalto as vias auditivas conectadas ao que de melhor se produz na música brasileira atual. Uma ponte erguida nas Perdizes paulistanas unindo o Recife da Nação Zumbi, de Pupilo e Dengue, e a São Paulo do Instituto, de Rica Amabis. Entre estes dois pólos de criatividade, a cantora CéU e o produtor e compositor Gui Amabis. Desdobramento concreto da experiência sônica do 3 na Massa. Inesperado é que ambos venham a luz juntos, tão próximos em sua filiação, mas diversos em seus propósitos. Pois Sonantes não se trata de um projeto, mas de uma banda batizada e abençoada por Jorge du Peixe, e que acolhe convidados tais quais Lucio Maia, Siba, Beto Villares, Toca Ogan, Fernando Catatau, Gustavo Da Lua, Pepe Cisneros, Sergio Machado, B-Negão e Apollo 9. Até então, a melhor novidade do ano de 2008, que promete uma safra excelente de novos discos, potencializada pelo fator surpresa. O texto que apresenta a banda no myspace leva a crer que o disco está pronto e será lançado em parceria entre o Selo Instituto e a Candeeiro. Vá agora à página dos Sonantes para ouvir as músias, ou baixe o EP compilado por um fã de primeira hora, sinta o baque e acione o repeat enquanto espera pela íntegra do possível e desejado álbum.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
A genealogia musical de Moreno Veloso
Se os talk-shows foram a melhor novidade do Humaitá pra Peixe 2008, o novo evento teve seu ponto alto no dia 14 de janeiro, quando o trio +2 + Pedro Sá foram os convidados de Bruno Levinson no Cinematèque Jam Club. Vamos evitar aqui o jornalismo requentado, pois a noite foi relatada com minúcia no site do festival. Esta postagem é dedicada exclusivamente a um de seus integrantes. Histórias e piadas a parte, as melhores músicas da noite saíram de sua voz e seu violão.
Cores Vivas
Mais Alguém
Noite inesquecível. Faltou apenas uma pergunta. Fechada a trilogia, o que eles pretendem fazer a seguir? Futurismo em aberto.
Moreno-show
A formação musical de Moreno Veloso precede o seu nascimento. Na barriga de sua mãe, ele já se fazia presente na sala da música, aquele espaço da casa reservado a ouvir e a tocar canções, onde muito provavelmente foram criados alguns clássicos da música brasileira. Se pela memória Moreno não consegue chegar à raiz, se vale do primeiro registro musical a ele dedicado. A canção de ninar "Tudo tudo tudo", gravada à capela, com o ritmo marcado na palma da mão, pelo pai no disco Jóia, de 1975, cuja capa foi censurada por trazer o pai Caetano, a mãe Dedé e o filho Moreno ao natural, despidos de quaisquer pudores em uma época de valores morais ditados por um regime que pregava a liberdade de reprimir em nome de Deus, da pátria e da família. "Tudo comer / tudo dormir / tudo no fundo do mar", "é só isso", cantou Moreno, justificando-se diante da insistência de Bruno.
A formação musical de Moreno Veloso precede o seu nascimento. Na barriga de sua mãe, ele já se fazia presente na sala da música, aquele espaço da casa reservado a ouvir e a tocar canções, onde muito provavelmente foram criados alguns clássicos da música brasileira. Se pela memória Moreno não consegue chegar à raiz, se vale do primeiro registro musical a ele dedicado. A canção de ninar "Tudo tudo tudo", gravada à capela, com o ritmo marcado na palma da mão, pelo pai no disco Jóia, de 1975, cuja capa foi censurada por trazer o pai Caetano, a mãe Dedé e o filho Moreno ao natural, despidos de quaisquer pudores em uma época de valores morais ditados por um regime que pregava a liberdade de reprimir em nome de Deus, da pátria e da família. "Tudo comer / tudo dormir / tudo no fundo do mar", "é só isso", cantou Moreno, justificando-se diante da insistência de Bruno.
Ainda no remoto terreno da infância, "Só vendo que beleza" foi lembrada como a primeira música que caiu no gosto do menino Moreno. Acompanhado pelo pai ao violão - como mais tarde ele viria a registrar em Máquina de Escrever Música, estréia fonográfica do trio -, Moreno costumava cantar a primeira parte da canção. Ao cantá-la naquela noite, ele se esquece da progressão harmônica que conduz à segunda parte. É imediatamente socorrido pela voz de Kassin, cantando levemente fora do tom. A ironia é que logo antes, Moreno havia brincado dizendo que Kassin não gostava de música brasileira, dando início a uma breve e carinhosa discussão. Terminado o número, sob aplausos do público presente, constrangido, Moreno sussura: "eu errei". Bem, não se tratou de um erro, mas sim um regresso aos tempos de criança.
Só Vendo que Beleza
Pendores musicais, Moreno tinha, sem dúvida. Mas foi na casa de Gilberto Gil que ele se aproximou do violão. Um dia, ao chegar lá, encontrou os "primos" tropicalistas Pedro e Preta tomando aulas de violão com um professor e disse a Caetano que gostaria de aprender a tocar o instrumento. Mais do que um, ele teve vários professores, entre eles o próprio Gil, que lhe ensinou a tocar "Cores Vivas", "uma música que meu pai e todos lá em casa gostavam muito".
Cores Vivas
Daí a se tornar músico e compositor muito tempo se passou, mesmo com a música sempre presente em sua vida. Em 1997, no disco Livro, Caetano gravou uma canção assinada por Moreno, "How beautiful could a being be". O acento baiano, o tom maior, o flerte com o pop são algumas características do Moreno compositor que já estão presentes ali. Talvez faltasse encontrar as pessoas certas para assumir a carreira. Elas eram Kassin e Domênico Lancelotti e em 2001 foi lançado o primeiro disco da trilogia +2, justamente com Moreno a frente da banda. A partir daí, não só Moreno, mas o trio tornou-se referência obrigatória no meio independente brasileiro, especialmente na cena carioca, até alcançar projeção internacional no Japão, na Europa e nos Estados Unidos.
Neste ínterim, Moreno teve composições gravadas por sua madrinha Gal Costa, mas foi só em 2007 que, como compositor, ele emplacou um sucesso radiofônico e, por que não, popular. A irresistível "Um passo à frente", parceria com Quito Ribeiro, chamou atenção da jovem sensação Roberta Sá que pediu autorização para gravá-la em seu segundo disco. A música, no entanto, era uma das que havia sido gravada por Gal, então Moreno perguntou se a cantora gostaria de gravar uma música do repertório de Gal Costa. Ambos concordaram que não seria uma boa, mas Moreno prometeu uma música inédita a Roberta. Por não ser um compositor dos mais prolíficos, a tal música não existia. As sessões de gravação de Roberta já estavam sendo finalizadas quando Moreno a encontrou na aula de pilates. Amanhã é o último dia, ela teria dito. Ao sair da aula, Moreno ligou para o parceiro Quito e o intimou: precisamos fazer uma canção para a Roberta Sá esta noite. Quito, também fã da cantora, concordou e o resultado foi a bossa-de-roda pop-malemolente "Mais Alguém". Moreno a interpretou pela primeira vez em público no talk-show do Humaitá pra Peixe.
Mais Alguém
Noite inesquecível. Faltou apenas uma pergunta. Fechada a trilogia, o que eles pretendem fazer a seguir? Futurismo em aberto.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Humaitá pra Peixe 2008: Balanço Final
O Humaitá pra Peixe despediu-se do público ontem, no Oi Futuro, com o concorridíssimo show de Quito Ribeiro. Mesmo tímido como intérprete, pouco a vontade no palco, especialmente no começo da apresentação, Quito mostrou-se um excelente compositor. O baixo de Pedro Sá é o núcleo central de onde partem graves vibrações Sua música esgarça os limites do samba-reggae de sua Bahia natal. O samba é de roda, com seus acordes maiores e o ritmo marcado na palma da mão, originário da tradição popular que por muito tempo esteve soterrado sob a vulgaridade do axé, mas agora parece voltar à luz em frentes diversas. O reggae se apresenta em vertente dub, processado organicamente, sem remix, dj ou programações. O núcleo central é o baixo de Pedro Sá com sua gravidade densa. As duas baterias, a cargo de Marcello Calado e Stéphane San Juan, ora se dobram em eco, ora se quebram em desafio, completadas pela percussão de Leo Monteiro. Benjão, entre a guitarra e o violão, faz a base harmônica para a típica marcação rítmica e suja da guitarra de Gabriel Bubu e seus pedais de efeitos. Por outro lado, fica óbvio que a voz de Quito não está a altura da riqueza melódica de suas composições. Muitas vezes ele tem dificuldade para alcançar algumas notas mais altas, mas as boas vibrações que emanavam da platéia fizeram com que ele ficasse mais solto e, também, a festa mais bonita. Pelo visto o espaço Oi Futuro tornar-se-á um palco obrigatório nas próximas edições do festival.
Belo final para a vitaminada edição 2008, que além dos shows no palco principal, nos fins de semana, na sala Baden Powell, incluiu em sua programação atividades diversas: talk shows às segundas no Cinematèque Jam Club, debates às terças no Bar Mofo, workshops instrumentais e de produção musical às quartas e lançamentos de discos no Oi Futuro às quintas. Ou seja, pescaria ininterrupta ao longo de 28 dias, pela primeira vez desde a primeira edição, 14 anos atrás.
Como sempre acontece, os artistas escalados para o palco principal compuseram um painel desigual. Musicalmente, isso não é ruim. Diversos gêneros e estilos foram contemplados e essa é uma das características que faz do Humaitá pra Peixe um dos mais interessantes festivais independentes do país. O efeito colateral desta mistura é que alguns artistas acabam ficando deslocados, por uma razão ou outra, e o show não funciona. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Z'África Brasil. Acompanhados por baixo, guitarra e bateria, além dos três MC's e o DJ, O único representante da cena hip-hop no festival fez um show competente, mas, talvez pela chuva que caiu na cidade, não encontrou seu público. No extremo oposto, há o caso de Roberta Sá. Cantora afirmada entre crítica e público desde o lançamento de seu primeiro cd, Roberta lotou a Baden Powell com os seus fãs, algo que não faz parte do propósito do festival. Não se tratam propriamente de equívocos da escalação de 2008, pelo contrário. No primeiro caso, foi válida a aposta em uma das melhores bandas de rap do Brasil, mas parece que no Rio não há correspondência à linguagem e aos elementos do rap paulista. E, o segundo, parece ter sido uma tentativa de ampliar o público do festival através de um nome de alta potência para além do circuito independente. Nem vamos falar daqueles que não justificaram, pela música, sua presença no festival. Vale o registro de que foram poucos, pelo menos aqueles aos quais assisti.
O ponto alto na Baden Powell deu-se logo na primeira semana. Apesar de ter feito apresentações no Teatro Odisséia e no Cinematèque, o Vanguart ainda não havia recebido a devida atenção do público carioca. Bruno Levinson e sua turma fizeram o que lhes era devido: jogar luz sobre o fenômeno. Se eles realmente vão emplacar por aqui só o futuro irá dizer. Entre muitos bons shows, apenas um, este ano, creio eu, deverá entrar para história do Humaitá: foi a estréia do Maquinado de Lucio Maia em palcos cariocas, devidamente registrada aqui.
Da segunda semana em diante, houve alguns momentos dignos de nota: Manacá e Frank Jorge juntos fizeram a melhor noite do festival (Leia e veja aqui). A banda carioca, prestes a lançar agora em março o seu primeiro disco oficial, pela EMI, com produção de Mario Caldato Jr, fez um belo show, embora tenha enfrentado uma platéia um tanto acomodada nas poltronas da Baden Powell. Por sua vez, Frank reacendeu paixões gaudérias nos gaúchos radicados no Rio, e até mesmo em alguns que vieram especialmente para ver o show, e contagiou seus fãs cariocas com seu energético baile-rock-sessentista.
Os também gaúchos da Superguidis com suas guitarras em fúria justificaram o hype virtual que os garantiu no festival. Coube a eles também o maior sucesso da cobertura conjunta da Tuba do Pindzim e O Dilúvio: em um dia, houve 1300 acessos à nossa reportagem especial. Veja aqui.
Em menor escala, o Songoro Cosongo apresentou sua inusitada e criativa sonoridade latino-carioca-americana para uma sala praticamente vazia. Presença constante nos palcos da Lapa, talvez a banda não tenha conseguido atrair seus fãs boemios a uma apresentação cujo início se deu ainda à luz do dia sob uma chuva que parou diversos pontos da cidade. Poderia ter sido muito mais animado, tal qual a música que se viu no palco. Outra banda de presença constante na noite carioca, o Fino Coletivo levou bastante gente à sua apresentação, porém, só conseguiram mesmo fazer a galera tirar a bunda da cadeira para dançar nos últimos números do show. Por fim, o show surpresa foi o que se esperava do encontro entre Canastra e Brasov: uma grande celebração com muito bom humor e descontração. Um final bem carioca, digamos, embora não tenha se configurado em surpresa alguma.
A melhor novidade do Humaitá pra Peixe 2008 foram os talk-shows. Às segundas, no Cinematèque, talvez tenham acontecido os melhores momentos do festival. O evento configurou-se em um sarau biográfico com roda de violão. Bruno Levinson conseguiu reunir artistas altamente relevantes na atual cena carioca, extraiu deles boas histórias e, o melhor, muitas músicas inéditas. Veja Rodrigo Maranhão e Pedro Luís interpretando "Rap do Real" e "Rosa que me encanta" clicando nos links. E após o carnaval o Blog do Pindzim vai produzir uma reportagem em texto e vídeo acerca do tals-show do +2.
Bem, aqui termina a cobertura conjunta da Tuba do Pindzim e do Dilúvio sobre o Festival Humaitá pra Peixe. Já com saudades da prolífica pescaria de verão nos despedimos desejando um carnaval com muita música boa.
Agô Pindzim!
Belo final para a vitaminada edição 2008, que além dos shows no palco principal, nos fins de semana, na sala Baden Powell, incluiu em sua programação atividades diversas: talk shows às segundas no Cinematèque Jam Club, debates às terças no Bar Mofo, workshops instrumentais e de produção musical às quartas e lançamentos de discos no Oi Futuro às quintas. Ou seja, pescaria ininterrupta ao longo de 28 dias, pela primeira vez desde a primeira edição, 14 anos atrás.
Como sempre acontece, os artistas escalados para o palco principal compuseram um painel desigual. Musicalmente, isso não é ruim. Diversos gêneros e estilos foram contemplados e essa é uma das características que faz do Humaitá pra Peixe um dos mais interessantes festivais independentes do país. O efeito colateral desta mistura é que alguns artistas acabam ficando deslocados, por uma razão ou outra, e o show não funciona. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Z'África Brasil. Acompanhados por baixo, guitarra e bateria, além dos três MC's e o DJ, O único representante da cena hip-hop no festival fez um show competente, mas, talvez pela chuva que caiu na cidade, não encontrou seu público. No extremo oposto, há o caso de Roberta Sá. Cantora afirmada entre crítica e público desde o lançamento de seu primeiro cd, Roberta lotou a Baden Powell com os seus fãs, algo que não faz parte do propósito do festival. Não se tratam propriamente de equívocos da escalação de 2008, pelo contrário. No primeiro caso, foi válida a aposta em uma das melhores bandas de rap do Brasil, mas parece que no Rio não há correspondência à linguagem e aos elementos do rap paulista. E, o segundo, parece ter sido uma tentativa de ampliar o público do festival através de um nome de alta potência para além do circuito independente. Nem vamos falar daqueles que não justificaram, pela música, sua presença no festival. Vale o registro de que foram poucos, pelo menos aqueles aos quais assisti.
O ponto alto na Baden Powell deu-se logo na primeira semana. Apesar de ter feito apresentações no Teatro Odisséia e no Cinematèque, o Vanguart ainda não havia recebido a devida atenção do público carioca. Bruno Levinson e sua turma fizeram o que lhes era devido: jogar luz sobre o fenômeno. Se eles realmente vão emplacar por aqui só o futuro irá dizer. Entre muitos bons shows, apenas um, este ano, creio eu, deverá entrar para história do Humaitá: foi a estréia do Maquinado de Lucio Maia em palcos cariocas, devidamente registrada aqui.
Da segunda semana em diante, houve alguns momentos dignos de nota: Manacá e Frank Jorge juntos fizeram a melhor noite do festival (Leia e veja aqui). A banda carioca, prestes a lançar agora em março o seu primeiro disco oficial, pela EMI, com produção de Mario Caldato Jr, fez um belo show, embora tenha enfrentado uma platéia um tanto acomodada nas poltronas da Baden Powell. Por sua vez, Frank reacendeu paixões gaudérias nos gaúchos radicados no Rio, e até mesmo em alguns que vieram especialmente para ver o show, e contagiou seus fãs cariocas com seu energético baile-rock-sessentista.
Os também gaúchos da Superguidis com suas guitarras em fúria justificaram o hype virtual que os garantiu no festival. Coube a eles também o maior sucesso da cobertura conjunta da Tuba do Pindzim e O Dilúvio: em um dia, houve 1300 acessos à nossa reportagem especial. Veja aqui.
Em menor escala, o Songoro Cosongo apresentou sua inusitada e criativa sonoridade latino-carioca-americana para uma sala praticamente vazia. Presença constante nos palcos da Lapa, talvez a banda não tenha conseguido atrair seus fãs boemios a uma apresentação cujo início se deu ainda à luz do dia sob uma chuva que parou diversos pontos da cidade. Poderia ter sido muito mais animado, tal qual a música que se viu no palco. Outra banda de presença constante na noite carioca, o Fino Coletivo levou bastante gente à sua apresentação, porém, só conseguiram mesmo fazer a galera tirar a bunda da cadeira para dançar nos últimos números do show. Por fim, o show surpresa foi o que se esperava do encontro entre Canastra e Brasov: uma grande celebração com muito bom humor e descontração. Um final bem carioca, digamos, embora não tenha se configurado em surpresa alguma.
A melhor novidade do Humaitá pra Peixe 2008 foram os talk-shows. Às segundas, no Cinematèque, talvez tenham acontecido os melhores momentos do festival. O evento configurou-se em um sarau biográfico com roda de violão. Bruno Levinson conseguiu reunir artistas altamente relevantes na atual cena carioca, extraiu deles boas histórias e, o melhor, muitas músicas inéditas. Veja Rodrigo Maranhão e Pedro Luís interpretando "Rap do Real" e "Rosa que me encanta" clicando nos links. E após o carnaval o Blog do Pindzim vai produzir uma reportagem em texto e vídeo acerca do tals-show do +2.
Bem, aqui termina a cobertura conjunta da Tuba do Pindzim e do Dilúvio sobre o Festival Humaitá pra Peixe. Já com saudades da prolífica pescaria de verão nos despedimos desejando um carnaval com muita música boa.
Agô Pindzim!
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Humaitá pra Peixe: Fino Coletivo
Banda que conquistou o público carioca em apresentações ao vivo, o Fino Coletivo faz um som baseado no balanço. Pitadas de samba rock, reggae, batidas funkeadas que são um convite à dança. Talvez por isso, o começo do show foi morno. Com o público confortavelmente acomodado nas cadeiras da Sala Baden Powell, os músicos no palco pareciam pouco a vontade, sem a resposta a que estavam acostumados em suas temporadas cariocas. Gritos da platéia como "aperta o fino que o fino é coletivo" foram a senha para que o público começasse a se soltar definitivamente. Já era a parte final da apresentação e somente na última música, o sucesso "Tarja Preta/Fafá", e no bis todo a platéia entrou em sintonia com a música e se levantou para dançar em celebração.
Como saldo final do Humaitá pra Peixe, vale a consideração de que o ganho acústico que o festival obteve com a mudança do Teatro Sérgio Porto para a Sala Baden Powell teve o efeito colateral de tornar mais frias todas as apresentações - e o Fino Coletivo, especialmente, assim como o Manacá, sofreu bastante com isso. Coisa que só acontecia no aquário original do Humaitá quando o artista realmente não conseguia estabelecer qualquer empatia com o público. Porém, deixemos as considerações finais sobre a edição 2008 para depois de quinta-feira, quando Quito Ribeiro encerra definitivamente o festival. Por hora, fiquem com a reportagem sobre o Fino Coletivo:
Como saldo final do Humaitá pra Peixe, vale a consideração de que o ganho acústico que o festival obteve com a mudança do Teatro Sérgio Porto para a Sala Baden Powell teve o efeito colateral de tornar mais frias todas as apresentações - e o Fino Coletivo, especialmente, assim como o Manacá, sofreu bastante com isso. Coisa que só acontecia no aquário original do Humaitá quando o artista realmente não conseguia estabelecer qualquer empatia com o público. Porém, deixemos as considerações finais sobre a edição 2008 para depois de quinta-feira, quando Quito Ribeiro encerra definitivamente o festival. Por hora, fiquem com a reportagem sobre o Fino Coletivo:
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Humaitá pra Peixe: Superguidis
Após um show consagrador no Humaitá pra Peixe, a gurizada do Superguidis revelou quais são os planos da banda para 2008: compor novas músicas para um futuro disco, a ser lançado em 2009, gravar um clipe e continuar tocando pelo Brasil para conquistar novos fãs. O foco é a música. Nunca os eventuais benefícios que uma carreira de sucesso poderá proporcionar aos integrantes. Ao apresentá-los, Bruno Levinson, o idealizador e produtor do Humaitá pra Peixe, apostou que este é o ano em que a banda vai estourar. Talvez, "num futuro próximo, ou distante", conforme as palavras do guitarrista e vocalista Andrio Maquenzi. Enquanto isso, atividades rotineiras, como as aulas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e o serviço, compõem a nem tão amarga sinfonia dos futuros superstars. Retire-se o super e temos as mais brilhantes estrelas da nova geração do rock gaúcho. Abandonadas as velhas piadas internas, fica-se apenas com o sotaque e uma dúvida: cabe a eles este maldito rótulo? Definitivamente, não é o mais apropriado. Troque o simbolismo da bombacha pela literalidade de guitarras que se chocam e se completam ao estudar-lhes a genealogia. O baixo e a bateria compõem uma cozinha discreta e reta, base sólida para os devaneios elétricos de Lucas e Andrio. As letras funcionam, às vezes ingênuas, tangenciam o humor, sem abuso, versando sobre temas comuns àqueles que se encontram no vácuo entre a adolescência e a vida adulta. Trabalham para adestrar a anarquia guitarreira, mas não adianta. Traduzindo livremente uma expressão comum ao pop internacional, o Superguidis é uma "banda de guitarras".
Perto demais das capitais
Um público fiel foi conquistado entre os gaúchos através de apresentações ao vivo, do boca-a-boca e das plataformas virtuais, com pouco auxílio das velhas e desgastadas mídias. Não que eles as desprezem. Elas é que não estão conseguindo se adaptar à velocidade das renovações. O circuito de festivais independentes, aliada à divulgação via internet, tem aproximado o Superguidis de um público mais amplo em território nacional. A repercussão de uma recente apresentação no Acre ainda causa surpresa e sensação, mas a banda não tem urgência em impor sua dominação sobre outras terras. Ou pelo menos não tem planos imediatos de abandonar o rincão natal. Pretendem construir uma carreira nacional mantendo em Porto Alegre a sua base. Ao contrários de seus "antepassados do rock gaúcho", os integrantes do Superguidis acreditam estar perto demais das capitais. São mesmo outros tempos. Bem-vindos sejam!
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Humaitá pra Peixe: Songoro Cosongo
A tempestade que se abateu sobre o Rio no fim da tarde de sábado não foi capaz de tirar o bom humor dos integrantes do Songoro Cosongo, ou diminuir a tradicional intensidade das apresentações do combo sul-americano nascido nas quebradas de Santa Tereza. As conseqüências da chuva foram sentidas na Sala Baden Powell. O auditório estava praticamente vazio quando a banda entrou no palco. Satisfeitos por estarem tendo a possibilidade de se apresentar fora de seu habitat natural, os integrantes do Songoro Cosongo fizeram um show que tinha tudo para ter sido o baile pré-carnavalesco do Humaitá pra Peixe. Não há referências explícitas, ou instrumentos típicos, do samba carioca. Metais e percussão constituem o alicerce da combinação de ritmos latinos, quentes, dançantes e irreverentes, que caracteriza a sonoridade da banda. Mas, por estar radicado no Rio de Janeiro e circular com sua música no circuito Lapa-Santa Tereza, é natural que o Songoro Cosongo seja também um bloco. Sai na manhã da segunda-feira - concentração às 9h no Curvelo, dia 4 de fevereiro - contribuindo para a renovação do carnaval de rua na cidade ao inserir o componente da diversidade na folia carioca.
Com tal mistura de referências sonoras e culturais, tentar definir a musicalidade do Songoro Cosongo exigiria um esforço reducionista. O show no Humaitá recomenda àqueles que ainda não tiveram a oportunidade de conhecê-los que não percam a próxima oportunidade.
Confira abaixo reportagem com o Songoro Cosongo realizada minutos antes de eles subirem ao palco da Sala Baden Powell:
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Humaitá pra Peixe: Manacá e Frank Jorge
Noite de regionalismos universais
No sábado, dia 12, apresentaram-se no Humaitá pra Peixe dois artistas de origens e influências tão diversas quanto possíveis. Como traço comum, apenas a clássica formação roqueira, assentada em guitarra, baixo e bateria e a exploração de tradições regionais tão diversas quanto os pampas gaúchos - o frio, a referência sonora do pop inglês dos anos 60 - e a conexão entre o Rio de Janeiro e o sertão nordestino através da linguagem do rock pesado.
Da flor desse Manacá
O prelúdio instrumental conduzido por viola, pandeiro e rabeca foi uma perfeita introdução ao universo poético e musical do Manacá. Em seguida, a viola é trocada pela guitarra e o som, antes singelo, de uma hora para outra se transforma, como nuvens pesadas que cobrem o céu claro anunciando a tempestade que está por vir. No centro do palco, as luzes recaem sobre a vocalista Leticia Persiles. Naturalmente, com um perfeito domínio cênico e vocal, sem maneirismos, ela assume a condição de líder messiânica da trupe. O show se transforma em um espetáculo de mão única. Toda força emana do palco. Impedido de se entregar aos convites do ritmo, devido às cadeiras da Sala Baden Powell, o público se deixa hipnotizar pelo magnetismoa da vocalista.
Enquanto muitas das letras de Leticia versam sobre temas como o misticismo, a religiosidade e os costumes nordestinos retratados no contexto de suas áridas paisagens, as melodias carregam a tortuosidade de secas raízes retorcidas, evocando lamentos sertanejos que, ao mesmo tempo que são desviados da obviedade do rock puro e simples, são potencializados pelo peso dos arranjos.
A síntese da musicalidade do Manacá é "Diabo". Aquele que, antes mesmo do lançamento do primeiro disco oficial da banda, programado para o mês de março, configura-se como o hit inaugural da banda É uma música que se pode muito bem imaginar tanto na voz de Pitty, como entoada por um dos muitos sanfoneiros anônimos do sertão em forrós de pé de serra. Enfim, uma canção universal unindo as pontas de pólos musicais opostos. Muito mais do que um bom começo para uma banda que tem menos de dois anos de estrada. O caminho para o sucesso está pavimentado e pelo que se viu no Humaitá pra Peixe, não será necessário passar pelas agruras às quais são submetidos os retirantes de vida severina.
Obsessão anos 60
O grande números de gaúchos que marcaram presença na platéia contribuíram para que o show de Frank Jorge tenha sido um dos mais animados do festival até então. Celebrando 10 anos de carreira solo em 2008, Frank entrou no palco vestindo terno e gravata pretos, apesar do calor, e ostentava um óculos retrô de proporções exageradas. Parecia um personagem de HQ. E foi muito bem recebido. Logo na primeira música, "Serei mais feliz (Vou largar a Jovem Guarda)", os mais animados se posicionaram no corredor central, bem em frente ao palco, fugindo das cadeiras, para dançar e puxar o coro com sotaque carregado. À medida que as canções se sucediam, mais gente se concentrava ali. Uma camiseta vermelha do mais Internacional dos times brasileiros se destacava no gargarejo e a marcante rivalidade futebolística não demorou a aflorar. Do fundo da platéia alguém gritou: Grêmio. Frank, de cima do palco, rebateu: "não fala essa palavra no meu show". Foi a senha para a torcida colorada entoar cânticos das arquibancadas. Até um torcedor do Juventude se manifestou. "Esse veio de Caxias do Sul", comentou Frank. Outro colorado lembrou: "e nós viemos de Dubai". Frank riu, sentindo-se praticamente em casa.
Mas ao primeiro acorde da guitarra introduzindo a música seguinte, a bailanta roqueira com influências sessentistas nacionais e estrangeiras apaziguou a rixa entre as torcidas unindo-as em uma só vibração: Frank Jorge Musical Clube. O repertório alternava canções de seus dois discos solos já lançados - Carteira Nacional do Apaixonado e Vida de Verdade - e algumas inéditas. As únicas concessões foram feitas a dois clássicos da Graforréia Xilarmônica - "Amigo Punk" e "Eu" -, e "Se Você Pensa", de Roberto e Erasmo Carlos, que encerrou a apresentação.
Pedro Veríssimo, da Tom Bloch, foi o convidado especial da noite. Ele subiu ao palco para cantar "Vida de Verdade". Na seqüência, juntos, eles emendaram "Pilhas de Livros", música que estará no terceiro disco e, nas palavras do próprio Frank, "tem um clima meio Mama's and the Papa's".
Do trabalho inédito, cujo nome ainda não está definido, foram apresentadas também: "A historiadora", cuja inspiração Frank garante não ter sido auto-biográfica, é "uma música que brinca um pouco com o universo de uma professora pós-graduada misteriosa que não dá bola pra um cara da vizinhança que é apaixonado por ela"; "Não espero mais nada" é "uma daquelas que mais remete à minha influência de Jovem Guarda". A promessa de abandonar a Jovem Guarda, motivada por um comentário de Julio Reny, companheiro de Caubóis Espirituais, ao que parece, serviu apenas de mote para uma canção e jamais será cumprida. Por fim, "Obsessão anos 60", que se caracteriza pelo tom irônico e nasceu a partir de uma frase que veio à cabeça do compositor: "não suporto mais sua obsessão pelos anos 60, não consigo explicar, só sei que ninguém mais aguenta". O disco está praticamente pronto e será lançado ainda no primeiro semestre. A gravadora não está definida.
Veja abaixo reportagem especial com o músico gaúcho após o show:
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
DJ Dolores: músicas do novo disco no Myspace

DJ Dolores disponibilizou cinco músicas de seu próximo disco, 1 Real, em sua página no Myspace. "Tocando terror", a primeira no playlist, conta com Tiné nos vocais e se assenta sobre uma base eletrônica sem muitas variações em que se destaca uma guitarra em solo permanente entre a cúmbia e o carimbó. "Deixa falar" começa com um clima etéreo que remete ao dub, mas só até os metais entrarem abrindo caminho para o vocal de Isaar, a vocalista predileta de Dolores, pelo menos a mais recorrente em seus trabalhos anteriores. Daí em diante torna-se uma tarefa inglória tentar definir a musicalidade da faixa. Ouça e tente você mesmo. A tradição pernambucana é evidente em "Proletariado", com a rabeca em evidência a marcação do triângulo que acompanha a programação eletrônica. Mesmo assim, não é possível associá-la a um gênero musical específico. Beats quebrados, uma guitarra funkeada e um MC com sotaque pernambucano resultam em "Saudade". E a última, "JPS" é um xote entrecortado por versos de embolada.
Esta prévia generosa reafirma Dolores como um dos mais inventivos DJ's brasileiros e provoca grandes expectativas pelo lançamento do disco na íntegra. Integram a lista de convidados, músicos do naipe de Fernando Catatau, Dengue, Junior Areia e Bactéria, baixista e tecladista do mundo livre s/a. Silvério Pessoa, Mônica Feijó, e a cantora francesa radicada no Rio de Janeiro, Marion, além, é claro, da já citada Isaar colaboram nos vocais. 1 Real será lançado primeiramente na Europa, em fevereiro, pelo selo belga Crammed Discs, a mesma das cantoras Bebel Gilberto e Cibelle. Infelizmente, ainda não há previsão de lançamento no Brasil.
Esta prévia generosa reafirma Dolores como um dos mais inventivos DJ's brasileiros e provoca grandes expectativas pelo lançamento do disco na íntegra. Integram a lista de convidados, músicos do naipe de Fernando Catatau, Dengue, Junior Areia e Bactéria, baixista e tecladista do mundo livre s/a. Silvério Pessoa, Mônica Feijó, e a cantora francesa radicada no Rio de Janeiro, Marion, além, é claro, da já citada Isaar colaboram nos vocais. 1 Real será lançado primeiramente na Europa, em fevereiro, pelo selo belga Crammed Discs, a mesma das cantoras Bebel Gilberto e Cibelle. Infelizmente, ainda não há previsão de lançamento no Brasil.
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