Quando tocou no Rio pela primeira vez, em março, Tiê fez uma apresentação marcada pela tensão. De poucas palavras, com um vestido escuro e sóbrio e maquiagem perfeita, cantou todas as músicas de Sweet Jardim em menos de uma hora para um público acomodado nas mesas distribuídas por um Cinemathèque razoavelmente cheio. A apresentação teria sido impecável, não fosse pela frieza que, diga-se, combina bastante com as suas músicas de arranjos minimalistas e letras confessionais.
Duas apresentações depois, a cantora que voltou ao Rio para sua terceira apresentação no mesmo Cinemathèque parecia outra. Era a mesma, estava apenas mudada. Vestia uma larga blusa xadrez que não se pode chamar de elegante. Chamou mais atenção, entretanto, a sua atitude. Falante desde o momento em que pisou no palco, mostrava-se mais segura em seu ofício após a experiência adquirida em uma bem sucedida turnê europeia. Se da primeira vez o público estava ali para conhecê-la, muitos agora já eram fãs, alguns cantando junto, baixinho, apenas para acompanhá-la sem prejudicar aos demais que estavam imersos na beleza de sua voz e canções.
Ao fim de uma música, anunciou que logo após o show dela os presentes poderiam se balançar ao som dançante da Banda Bife, de seu produtor e (único) companheiro de palco Plinio Profeta. Talvez ignorando que a maioria estava ali para vê-la e ouvi-la, ou então, sabendo disso, apenas divertia-se com um público a que já pode chamar de seu.
Tecnicamente, as interpretações não foram tão perfeitas quanto da primeira vez. Mais divertido e emotivo certamente foi. A ponto de Tiê não se acanhar com uma falha de sua voz ao final de "Aula de Francês" e fazer piada do próprio erro. Antes de terminar, tocou a sua versão de "Se Enamora", clássico do romantismo infantil dos anos 80 e anunciou: as próximas tiragens de Sweet Jardim incluirão a canção do repertório do Balão Mágico graças aos apelos de Plinio Profeta. Nesse momento do show, Tiê retorna à infância e leva junto com ela cada um que reconhece os versos que ela está a cantar, e confirma: pode-se perder a inocência, mas nunca a saudade de sorrir e brincar.
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segunda-feira, 27 de julho de 2009
domingo, 18 de janeiro de 2009
Discos para 2009: Tiê, Sweet Jardim
A cantora e compositora Tiê acaba de disponibilizar em sua página no Myspace mais três faixas de "Sweet Jardim", seu primeiro disco. Com produção de Plínio Profeta, terá dez faixas e deve ser lançado em março.
Anteriormente, Tiê lançara um EP que conquistou elogios diversos, mas agora, com a prévia de "Sweet Jardim", ela demonstra ter encontrado o caminho próprio que vinha tateando. São músicas de curta duração que vão ao âmago da canção, com arranjos simples, eminentemente acústicos, valorizando a voz e as melodias. É como se a melancolia da chanson francesa encontrasse tradução na língua portuguesa, deixando-se contaminar pelas sutilezas da música brasileira passando ao largo de suas referências mais óbvias.
Música que dá nome ao disco, "Sweet Jardim" é pontuada por um bandolim que pinga como as primeiras gotas de chuva em um fim de tarde no campo. O cheiro de água e terra se misturam na trama dos violões, na umidade da interpretação, na densidade poética. Em contraste com o cinza das nuvens carregadas, o mato, a grama, as folhas das árvores brilham nos mais verdejantes tons de verde. O sentimento é difuso, compreende emoções variadas entre "mi maior e lá".
"Aula de Francês" é um folk levado em voz e violão sobre um orgão que soa discreto, criando uma ambiência etérea. A delicadeza da sonoridade de Tiê encontra correspondência na letra que flutua do francês ao português, flertando de verso em verso com a tradição da chanson francesa. Em "A Bailarina e o Astronauta" a amplitude melódica da voz da cantora, acompanhada apenas por piano e cordas, é um convite ao voo: o salto da bailarina em direção ao astronauta que vaga no espaço esquecido da lógica da gravidade.
"Te Vaolorizo" e "Assinado Eu" completam a prévia do futuro disco. Mais do que suficiente para saber que 2009 será lembrado por "Sweet Jardim". E que Tiê nunca mais será esquecida.
Depois de postado este texto, Tiê postou mais uma no Myspace. Cantada em inglês, "Stranger but Mine" está abaixo das demais, mas não compromete a beleza do trabalho.
Anteriormente, Tiê lançara um EP que conquistou elogios diversos, mas agora, com a prévia de "Sweet Jardim", ela demonstra ter encontrado o caminho próprio que vinha tateando. São músicas de curta duração que vão ao âmago da canção, com arranjos simples, eminentemente acústicos, valorizando a voz e as melodias. É como se a melancolia da chanson francesa encontrasse tradução na língua portuguesa, deixando-se contaminar pelas sutilezas da música brasileira passando ao largo de suas referências mais óbvias.
Música que dá nome ao disco, "Sweet Jardim" é pontuada por um bandolim que pinga como as primeiras gotas de chuva em um fim de tarde no campo. O cheiro de água e terra se misturam na trama dos violões, na umidade da interpretação, na densidade poética. Em contraste com o cinza das nuvens carregadas, o mato, a grama, as folhas das árvores brilham nos mais verdejantes tons de verde. O sentimento é difuso, compreende emoções variadas entre "mi maior e lá"."Aula de Francês" é um folk levado em voz e violão sobre um orgão que soa discreto, criando uma ambiência etérea. A delicadeza da sonoridade de Tiê encontra correspondência na letra que flutua do francês ao português, flertando de verso em verso com a tradição da chanson francesa. Em "A Bailarina e o Astronauta" a amplitude melódica da voz da cantora, acompanhada apenas por piano e cordas, é um convite ao voo: o salto da bailarina em direção ao astronauta que vaga no espaço esquecido da lógica da gravidade.
"Te Vaolorizo" e "Assinado Eu" completam a prévia do futuro disco. Mais do que suficiente para saber que 2009 será lembrado por "Sweet Jardim". E que Tiê nunca mais será esquecida.
Depois de postado este texto, Tiê postou mais uma no Myspace. Cantada em inglês, "Stranger but Mine" está abaixo das demais, mas não compromete a beleza do trabalho.
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