Quando o canto é reza, o santo é Roque Ferreira. Nas terças-feiras de janeiro do Centro Cultural Carioca, a cantora Roberta Sá e o Trio Madeira Brasil têm sido seus súditos fiéis - no dia 2, acontece a última apresentação da temporada. E desta combinação - as músicas de Roque, com interpretação de Roberta e arranjos de Zé Paulo Becker e Marcello Gonçalves - resulta o primeiro grande espetáculo musical do ano de 2010. E trata-se apenas de um ensaio aberto utilizado para a preparação do repertório que será registrado em disco até o final deste ano, com direito a eventuais erros, mas o que sobressai são primordialmente os acertos.
No palco, o conjunto desfia os primeiros acordes e silencia para, do fundo da casa, surgir Roberta Sá entoando versos de devoção religiosa em que toda fé se deposita não em deuses inatingíveis ou em entidades da cultura afro-brasileira, mas sim no vasto repertório inédito do baiano Roque Ferreira. Lembrado recentemente pelas músicas gravadas por Maria Bethânia em seus dois últimos discos, o compositor lançado por Clara Nunes no fim dos anos 70 - com a música "Apenas um Adeus", no disco Esperança (1979) - parece finalmente receber a merecida atenção, tendo um disco dedicado exclusivamente à sua obra. Muito embora tenha lançado um excelente, porém pouco conhecido, disco solo, Tem Samba no Mar, em 2005.
Seus sambas - de roda, de capoeira, cariocas -, chulas, ijexás, cocos, toadas e galopes fazem um inventário da musicalidade popular da Bahia ofuscada pela força mercadológica do axé com suas cantoras turbinadas. E é, ainda, como Roberta fez questão de ressaltar, uma obra em progresso - "Roque está sempre mandando músicas novas pra gente", contou -, fonte abundante de clássicos latentes, pedindo vozes que os façam vicejar.
Samba Novo
Esta história começa em 2006, quando Roberta Sá foi convidada por Rodrigo Maranhão para participar de uma coletânea de samba que ele produzia para a Som Livre. A procura de uma música para gravar, Roberta entrou em contato com o universo de Roque e escolheu "Afefé". Para registrá-la, uniu-se ao Trio Madeira Brasil. Daquela experiência, surgiu a vontade de fazer um trabalho dedicado ao repertório de Roque.
Em seu segundo disco, Que Belo Estranho Dia Para se Ter Alegria (2007), Roberta gravou "Laranjeira", mas foi em outubro daquele ano que o projeto começou a tomar forma. Convidados a participar do Circuito Original, Roberta e o Trio Madeira Brasil fizeram um show no Trapiche da Gamboa, zona portuária do Rio, em que músicas dos dois discos da cantora, clássicos do samba e algumas canções de Roque se misturaram dando início ao projeto que agora se realiza. "Zumbiapungo", parceria do baiano com Zé Paulo Becker, um dos integrantes do trio, que encerra a atual apresentação antes da volta para o bis, foi uma das canções apresentadas na ocasião.
Naquela oportunidade, Roberta cantou "Afefé", que no show da última terça foi pedida pela platéia no bis, sugestão rejeitada por Roberta, sob a justificativa de que não estava ensaiada. Na época, registrei a canção em um vídeo que ficou tecnicamente imperfeito - eram minhas primeiras experiências com uma nova câmera e tive dificuldades com o foco. Optei por mantê-lo inédito até agora. Aí está para a posteridade:
Sobre o futuro disco, não há dúvida de que representará o salto definitivo de Roberta Sá, de mais uma em meio a um conjunto de boas cantoras em busca de identidade, para a afirmação como uma das divas de sua geração, posto que lhe cai bem, dada uma certa afetação que demonstra no palco e o público fiel que vem conquistando desde que se lançou como cantora após uma tímida participação no extinto programa "Fama", suposta fábrica de talentos musicais da Globo, do qual, por vias completamente tortas, tornou-se a única a realmente vingar.
domingo, 31 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
O carnaval de Lucas Santtana e do Baiana System
Encontrei Lucas Santtana depois do show da Céu no Circo Voador, sábado retrasado, e ele contou que vai comandar um trio elétrico no carnaval de Salvador. Ontem, no Twitter, ele liberou uma música que antecipa o clima da folia. Com batida eletrônica acelerada, solos que emulam a guitarra baiana de Dodô e Osmar e letra que exalta os foliões, "Carnaval quem é que faz?" é uma composição do Lucas que está no primeiro disco do Baiana System. Trata-se do novo projeto de Roberto Barreto - guitarrista do Lampirônicos - cuja proposta é "divulgar e explorar novas possibilidades sonoras da guitarra baiana".
Sem formato definido, ao vivo a banda pode assumir formações variadas. "A idéia principal é que a guitarra baiana interaja num formato de live P.A. com um DJ que assuma as bases sampleadas e/ou tocadas, fazendo inserções de sons e efeitos com liberdade de improvisos. Utilizando-se de recursos como camadas, efeitos e loops, numa concepção que também se inspira na liberdade e psicodelia do Dub".
Tal configuração faz uma ponte entre o carnaval baiano e os sistemas de som jamaicanos. "Pensar o principal meio de divulgação e consolidação da Guitarra Baiana (o trio elétrico) como um tipo especial de Sound System (divulgador do Dub), permite uma nova forma de utilizá-la, explorando mais suas possibilidades de timbragem e a interação com a produção das bases rítmicas, onde a linguagem e a filosofia das “colagens”, do re – criar a partir do existente, se tornam o desafio do Baiana System."
Antes do carnaval, Lucas se apresenta em São Paulo, no Studio SP. É sábado que vem, 30 de janeiro.
Sem formato definido, ao vivo a banda pode assumir formações variadas. "A idéia principal é que a guitarra baiana interaja num formato de live P.A. com um DJ que assuma as bases sampleadas e/ou tocadas, fazendo inserções de sons e efeitos com liberdade de improvisos. Utilizando-se de recursos como camadas, efeitos e loops, numa concepção que também se inspira na liberdade e psicodelia do Dub".Tal configuração faz uma ponte entre o carnaval baiano e os sistemas de som jamaicanos. "Pensar o principal meio de divulgação e consolidação da Guitarra Baiana (o trio elétrico) como um tipo especial de Sound System (divulgador do Dub), permite uma nova forma de utilizá-la, explorando mais suas possibilidades de timbragem e a interação com a produção das bases rítmicas, onde a linguagem e a filosofia das “colagens”, do re – criar a partir do existente, se tornam o desafio do Baiana System."
Antes do carnaval, Lucas se apresenta em São Paulo, no Studio SP. É sábado que vem, 30 de janeiro.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Marcelo Camelo em estúdio
Até maio, Marcelo Camelo dedica-se exclusivamente à produção e à gravação de seu segundo disco solo. Firme em terras paulistanas, o outrora hermano tem agora um novo (e grande) escritório de produção a lhe dar suporte - a Agência Produtora -, o mesmo que cuida da carreira de Mallu Magalhães.
Provavelmente, shows só no segundo semestre. Sobre o DVD gravado em abril do ano passado no Teatro Castro Alves, em Salvador, e o prometido filme sobre a realização de Sou (2008), silêncio total. Assim como deve correr em segredo tudo o que cerca o novo trabalho.
Provavelmente, shows só no segundo semestre. Sobre o DVD gravado em abril do ano passado no Teatro Castro Alves, em Salvador, e o prometido filme sobre a realização de Sou (2008), silêncio total. Assim como deve correr em segredo tudo o que cerca o novo trabalho.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Os 10 Melhores Discos de 2009
1. Vagarosa - Céu
Ritmo e melodia em perfeita harmonia com uma lírica inspirada pela beleza presente nas coisas simples e corriqueiras. Quando o futuro se faz presente incorporando também o passado, a música brasileira de domínio público encontra o século 21.
A todo volume: Bubuia / Cordão da Insônia / Cangote / Comadi
2. Violas de Bronze - Siba e Roberto Corrêa
A tradição da cantoria, reprocessada por Siba, encontra-se e funde-se com as modas de viola peculiares de Roberto Corrêa. Juntos, munidos de violas e rabeca, os dois passeiam por veredas nunca antes exploradas.
A todo volume: Casa de Reza / Nos Gerais
3. São Mateus não é um Lugar Tão Longe Assim - Rodrigo Campos
Nos fim de uma década marcada pela onipresença do samba, na qual os pastiches prevaleceram sobre a originialidade, um paulista surgiu para realmente trazer um sopro de novidade ao mais carioca de todos os gêneros. Suas crônicas da vida na periferia, de lírica pesada e acabamento delicado, soam como se os Racionais se encontrassem com Paulinho da Viola para levar um som.
A todo volume: California Azul / Mangue e Fogo
4. Uhuuu! - Cidadão Instigado
Cada vez mais, Catatau coloca a sua poesia a serviço de uma musicalidade que vai muito além de tentativas de categorização pré-existentes. Nesse disco, as neuroses do cidadão extrapolam questões regionais e locais para ilustrar a paranoia universal.
A todo volume: Homem Velho / Deus é uma Viagem
5. Imã - +2
Nesta trilha para o balé do grupo Corpo, o trio dilui as identidades que se impunham nos três discos anteriores e alcançam a síntese de sua musicalidade e vão além de qualquer fronteira definível.
A todo volume: Sol a Pino / Você Reclama
6. No Chão sem o Chão - Romulo Fróes
Retrato nu e cru de um artista em crise de identidade expondo todas as suas qualidades e os seus defeitos, sem pudores.
A todo volume: O Que Todo Mundo Quer/Ninguém Liga / Caia na Risada
7. Sweet Jardim - Tiê
A melancolia da chanson francesa encontra tradução na língua portuguesa, deixando-se contaminar pelas sutilezas da música brasileira, passando ao largo de suas referências mais óbvias.
A todo volume: Chá Verde / Passarinho
8. Dois Cordões - Alessandra Leão
Três guitarras trançando a rede harmônica sobre a qual Alessandra faz ecoar suas melodias balouçantes com sua voz ao mesmo tempo potente e acolhedora.
A todo volume: Boa Hora / Trancelim
9. Sem Nostalgia - Lucas Santtana
Em termos semânticos, "Sem Nostalgia" é equivalente a "Chega de Saudade". Lucas Santtana fez o Chega de Saudade da geração nascida na primeira década do século 21. O formato voz e violão nunca mais será o mesmo. Ao menos pelos próximos 40 anos.
A todo volume: Cira, Regina e Nana / Cá pra Nós
10. Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos - Otto
Uma alma atormentada faz a trilha solora de um grande amor despedaçado na era das celebridades instantâneas e do fim da privacidade.
A todo volume: Crua / O Leite
Ritmo e melodia em perfeita harmonia com uma lírica inspirada pela beleza presente nas coisas simples e corriqueiras. Quando o futuro se faz presente incorporando também o passado, a música brasileira de domínio público encontra o século 21.
A todo volume: Bubuia / Cordão da Insônia / Cangote / Comadi
2. Violas de Bronze - Siba e Roberto Corrêa
A tradição da cantoria, reprocessada por Siba, encontra-se e funde-se com as modas de viola peculiares de Roberto Corrêa. Juntos, munidos de violas e rabeca, os dois passeiam por veredas nunca antes exploradas.
A todo volume: Casa de Reza / Nos Gerais
3. São Mateus não é um Lugar Tão Longe Assim - Rodrigo Campos
Nos fim de uma década marcada pela onipresença do samba, na qual os pastiches prevaleceram sobre a originialidade, um paulista surgiu para realmente trazer um sopro de novidade ao mais carioca de todos os gêneros. Suas crônicas da vida na periferia, de lírica pesada e acabamento delicado, soam como se os Racionais se encontrassem com Paulinho da Viola para levar um som.
A todo volume: California Azul / Mangue e Fogo
4. Uhuuu! - Cidadão Instigado
Cada vez mais, Catatau coloca a sua poesia a serviço de uma musicalidade que vai muito além de tentativas de categorização pré-existentes. Nesse disco, as neuroses do cidadão extrapolam questões regionais e locais para ilustrar a paranoia universal.
A todo volume: Homem Velho / Deus é uma Viagem
5. Imã - +2
Nesta trilha para o balé do grupo Corpo, o trio dilui as identidades que se impunham nos três discos anteriores e alcançam a síntese de sua musicalidade e vão além de qualquer fronteira definível.
A todo volume: Sol a Pino / Você Reclama
6. No Chão sem o Chão - Romulo Fróes
Retrato nu e cru de um artista em crise de identidade expondo todas as suas qualidades e os seus defeitos, sem pudores.
A todo volume: O Que Todo Mundo Quer/Ninguém Liga / Caia na Risada
7. Sweet Jardim - Tiê
A melancolia da chanson francesa encontra tradução na língua portuguesa, deixando-se contaminar pelas sutilezas da música brasileira, passando ao largo de suas referências mais óbvias.
A todo volume: Chá Verde / Passarinho
8. Dois Cordões - Alessandra Leão
Três guitarras trançando a rede harmônica sobre a qual Alessandra faz ecoar suas melodias balouçantes com sua voz ao mesmo tempo potente e acolhedora.
A todo volume: Boa Hora / Trancelim
9. Sem Nostalgia - Lucas Santtana
Em termos semânticos, "Sem Nostalgia" é equivalente a "Chega de Saudade". Lucas Santtana fez o Chega de Saudade da geração nascida na primeira década do século 21. O formato voz e violão nunca mais será o mesmo. Ao menos pelos próximos 40 anos.
A todo volume: Cira, Regina e Nana / Cá pra Nós
10. Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos - Otto
Uma alma atormentada faz a trilha solora de um grande amor despedaçado na era das celebridades instantâneas e do fim da privacidade.
A todo volume: Crua / O Leite
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Jam da Silva prevê um 2010 intenso
O ano mal começou e o músico pernambucano Jam da Silva já está cheio de projetos. No momento, dedica-se à direção musical e à composição da trilha sonora do curta-metragem Too High To Holla, do diretor Danny Cabeza, cujo currículo indica a participação em filmes holywoodianos como Miami Vice e Brothers. Filmado parte em Los Angeles, parte no Rio de Janeiro, o filme tem como estrela a atriz e modelo brasileira Luisa Moraes, que desde 2008 vem buscando seu espaço no mercado americano com algumas participações pequenas em séries de TV e filmes de menor expressão.
Enquanto isso, aguarda o lançamento da faixa que compôs e produziu ao lado do dj Kayalik, do Massilia Sound System, e que contou com a participação de Luisa Maita. Ainda lá fora, depois de ganhar destaque na programação da BBC britânica, tendo a música "Dia Santo" incluída em compilação do dj britânico Gilles Peterson, Jam começa a encontrar o seu espaço também nos Estados Unidos. A mesma "Dia Santo" tem figurado na programação da rádio KCRW, de Los Angeles, uma das estações mais tradicionais do país.
Além disso, Jam está com viagem marcada para a Europa, onde pretende divulgar o seu trabalho autoral com vistas a realização de shows em um futuro próximo, e participar de gravações com alguns de seus colaboradores franceses, como Moussu T e Sebastien Martel. Antes de embarcar, grava participação no programa Pelas Tabelas, do Canal Brasil, cuja segunda temporada vai ao ar a partir de maio deste ano. Ao seu lado nas telas, estará a conterrânea Isaar, companheira dos tempos de Orquestra Santa Massa e parceira na faixa-título de seu disco de estreia - Dia Santo. Esgotado desde meados do ano passado, o disco está com sua segunda tiragem saindo da fábrica e em breve estará novamente disponível no mercado.
Propostas para a realização de novos shows no Brasil também têm surgido, mas por enquanto ainda não há nenhuma data confirmada.
Enquanto isso, aguarda o lançamento da faixa que compôs e produziu ao lado do dj Kayalik, do Massilia Sound System, e que contou com a participação de Luisa Maita. Ainda lá fora, depois de ganhar destaque na programação da BBC britânica, tendo a música "Dia Santo" incluída em compilação do dj britânico Gilles Peterson, Jam começa a encontrar o seu espaço também nos Estados Unidos. A mesma "Dia Santo" tem figurado na programação da rádio KCRW, de Los Angeles, uma das estações mais tradicionais do país.
Além disso, Jam está com viagem marcada para a Europa, onde pretende divulgar o seu trabalho autoral com vistas a realização de shows em um futuro próximo, e participar de gravações com alguns de seus colaboradores franceses, como Moussu T e Sebastien Martel. Antes de embarcar, grava participação no programa Pelas Tabelas, do Canal Brasil, cuja segunda temporada vai ao ar a partir de maio deste ano. Ao seu lado nas telas, estará a conterrânea Isaar, companheira dos tempos de Orquestra Santa Massa e parceira na faixa-título de seu disco de estreia - Dia Santo. Esgotado desde meados do ano passado, o disco está com sua segunda tiragem saindo da fábrica e em breve estará novamente disponível no mercado.
Propostas para a realização de novos shows no Brasil também têm surgido, mas por enquanto ainda não há nenhuma data confirmada.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Edu Krieger apresenta Correnteza
Para inaugurar este espaço em 2010, o último trabalho realizado no ano passado. Trata-se do video release ou EPK (eletronic press kit) de Correnteza - segundo disco do compositor carioca Edu Krieger. Foi realizado em parceria com o companheiro de todas as horas Pablo Francischelli, com quem dividi a direção, o roteiro e a fotografia. Apenas a edição ficou a cargo exclusivamente dele. Contamos ainda com a participação especialíssima de João Donato, que toca piano na faixa "Sobre as Mãos", de Edu e Zé Paulo Becker.
Com a palavra, Edu Krieger:
Com a palavra, Edu Krieger:
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Siba e Catatau juntos em eletricidade
Muita gente credita até hoje o fim do Mestre Ambrósio ao trabalho que Siba veio a desenvolver com músicos da Zona da Mata pernambucana a partir do disco A Fuloresta do Samba (2002). No ano anterior a banda lançara Terceiro Samba e parecia estar seguindo sua escalada ascendente de Pernambuco para o Brasil inteiro e daqui para o exterior. No Rio, o show de lançamento em um Canecão lotado, em que de toda geração do mangue beat até então apenas Chico Science e Nação Zumbi haviam tocado, foi apoteótico. Rodas de ciranda propagavam-se umas dentro das outras até tomarem o salão inteiro, muitos versos eram entoados pelo público com fervor e o bis estendeu-se para muito além do que a banda podia esperar ou estava preparada. Os maiores sucessos tiveram que ser repetidos até que o encerramento definitivo se deu com Siba improvisando versos ao microfone.
Roberto Corrêa e Siba (Foto: Pablo Francischelli)
E se trata de um disco nada convencional. Com arranjos fundamentados apenas em viola caipira e de cocho - a cargo de Roberto -, e viola nordestina e rabeca - pelas mãos de Siba -, trata-se de um disco "estranho", na definição do próprio, por unir dois músicos cujas personalidades e trabalhos autorais são tão distantes e distintos quanto suas origens - Roberto vem do Brasil Central e Siba, como se sabe, do Nordeste. "Eu não sinto mais tanto o peso de ter que ser coerente com um estilo musical que o público venha a me cobrar. As pessoas me cobraram o Mestre Ambrósio por uns anos e depois se acostumaram com isso e hoje eles sabem que o que dá o norte do meu trabalho não é um formato em si, é uma outra coisa", afirma, encerrando o assunto.
O FIM DO MESTRE AMBRÓSIO
Quem tivesse prestado atenção àquele último número, talvez não viesse a se surpreender com o futuro trabalho do compositor, cujo cerne viria a ser a poesia rimada. Mas o Mestre Ambrósio era então uma banda amada com tamanha devoção pelos seus fãs, que eles não poderiam imaginar que o seu fim se desenhava em um horizonte não muito distante. No entanto, aquele improviso era também uma pista de que os caminhos a seguir poderiam tornar insustentáveis as latentes divergências internas entre os seus integrantes. O processo de gravação de Terceiro Samba fora conturbado - o clima no estúdio não era nada bom, como relembraria anos depois o produtor Beto Villares, e o próprio Siba admitiria. Nem todos compartilhavam as mesmas ambições artísticas e estéticas. Cada integrante tinha seus próprios planos.
DAS CORDAS ACÚSTICAS ÀS ELÉTRICAS
Este ano, quando Siba novamente desviou sua trajetória da trilha óbvia, não houve trauma semelhante. Pelo contrário, Violas de Bronze, gravado em parceria com o violeiro Roberto Corrêa, foi saudado como uma obra coerente com a sua carreira e com aquilo que dele se poderia esperar. "Eu conquistei uma coisa muito boa, que nem foi intencional no começo, mas que hoje eu comemoro. Quando eu fiz a ruptura do que eu fazia com o Mestre Ambrósio para o que eu fui fazer com a Fuloresta, que foi realmente uma ruptura grande em termos de procedimento, de resultado sonoro, e até do tipo de pessoas com que se trabalha e tal, eu fiz uma guinada muito radical que me possibilitou, a partir daí, que eu possa fazer quantas guinadas eu quiser desde que eu mantenha uma coerência que é muito subjetiva minha", diz Siba, explicando a repercussão que o trabalho com Roberto vem obtendo, em entrevista via Skype ao Blog do Pindzim. "Tem um ponto que é constante no meu trabalho, alguns procedimentos que são meus e que têm me guiado, mas depois que eu fiz o Mestre Ambrósio e fiz a Fuloresta, que são tão diferentes, eu acho que fazer um disco com Roberto, só de rabeca e violas, deixou de ser pra mim uma guinada tão radical", completa.
Roberto Corrêa e Siba (Foto: Pablo Francischelli)
E se trata de um disco nada convencional. Com arranjos fundamentados apenas em viola caipira e de cocho - a cargo de Roberto -, e viola nordestina e rabeca - pelas mãos de Siba -, trata-se de um disco "estranho", na definição do próprio, por unir dois músicos cujas personalidades e trabalhos autorais são tão distantes e distintos quanto suas origens - Roberto vem do Brasil Central e Siba, como se sabe, do Nordeste. "Eu não sinto mais tanto o peso de ter que ser coerente com um estilo musical que o público venha a me cobrar. As pessoas me cobraram o Mestre Ambrósio por uns anos e depois se acostumaram com isso e hoje eles sabem que o que dá o norte do meu trabalho não é um formato em si, é uma outra coisa", afirma, encerrando o assunto.
Este desvio eventual fez com que Siba se reaproximasse dos instrumentos de corda, praticamente abandonados desde os tempos de Mestre Ambrósio - embora na intimidade ele sempre os tenha mantido ao alcance da mão. E foi assim que a eventual imersão no universo da viola, por vias tortas, acabou sendo definitiva para abrir uma nova vereda em sua carreira. "Eu voltei a tocar guitarra agora, junto com esse processo do Violas de Bronze", revela Siba, para em seguida enfatizar: "guitarra elétrica".
A própria viola não será abandonada nesta nova fase que se anuncia, mas ganhará captadores e, quem sabe, distorção. Siba encomendou a um luthier de São Paulo uma viola elétrica que já está em suas mãos e com a qual ele vem preparando material para um futuro disco. "Meu próximo trabalho vai vir muito mais ligado às cordas, especialmente à viola e à guitarra. Uma coisa bem mais elétrica mesmo, retomando um pouco do que foi o lado elétrico do Mestre Ambrósio, só que talvez de uma maneira diferente", conta Siba, para logo depois vaticinar: "acho que vai ser diferente de tudo o que eu fiz antes, mas isso está se processando para mim agora, nesse momento". Momento este que não deixa de ser uma surpresa para ele próprio. No auge de seu envolvimento com a Fuloresta, Siba chegou a achar que jamais voltaria à guitarra. "Mas cada tempo é um tempo", pondera.
Siba e a viola nordestina (Foto: Pablo Francischelli)
Siba e a viola nordestina (Foto: Pablo Francischelli)
PARCERIA COM CATATAU
Outra influência que seguramente o conduziu a esta nova trilha foi a de Fernando Catatau, líder do Cidadão Instigado. Siba revela que tem sido um ouvinte atento de tudo o que o músico e compositor cearense tem feito de um bom tempo para cá. Ao lado da Nação Zumbi, é a principal referência musical de Siba no cenário da música brasileira atual. Há um mês atrás quando conversamos, Siba ainda tinha poucas certezas acerca do novo trabalho, mas a participação de Catatau era uma delas. "Eu ainda estou montando esse trabalho novo. É um trio ou quarteto totalmente elétrico, de bateria, baixo e guitarra e viola elétrica, rabeca também, tudo muito elétrico. Praticamente é um power trio ou um power quarteto, não sei bem ainda, e quem vai produzir esse trabalho junto comigo é o Catatau. Ele é o grande parceiro dessa história", afirmou.
Além da coprodução do futuro trabalho, Catatau poderá integrar a banda idealizada por Siba. "É possível que sim, que seja eu e ele tocando as cordas. Isso é para o ano que vem. Já comecei agora, já tenho trabalhado material, tenho me preparado, e no começo do ano que vem a gente começa pra valer mesmo", diz. A ideia é levar o projeto ao palco no primeiro semestre, com apresentações em lugares pequenos, para depois entrar em estúdio. Siba prevê o lançamento em disco no final de 2010.
FULORESTA E NAÇÃO JUNTAS
Nem por isso, Siba e a Fuloresta entrarão em recesso. E até mesmo no trabalho com o grupo a eletricidade deverá se fazer sentir. Além das apresentações que vem fazendo desde o lançamento de Toda Vez que Eu Dou Um Passo o Mundo Sai do Lugar (2007), a Fuloresta pode se unir à Nação Zumbi para shows conjuntos, como aconteceu em duas oportunidades neste ano - no carnaval de Recife e no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, por ocasião das festividades do Ano França-Brasil. "São as duas bandas no palco com o repertório em comum dividido. Então a Nação toca nas músicas minhas com a Fuloresta e a Fuloresta toca nas músicas da Nação também, é tudo bem misturado. Agora, é uma banda muito grande, imagine, então é um projeto pra se fazer de vez em quando, ele é um pouco inviável", explica Siba.
O FIM DO MESTRE AMBRÓSIO
Dada a imprevisibilidade dos rumos de sua carreira, há alguma esperança de que os fãs do Mestre Ambrósio vejam a banda novamente reunida?, muitos podem se perguntar. Siba acredita que não, mas não usa a palavra "impossível" para descartar totalmente uma futura reunião. Diz que acha "bem difícil". Por outro lado diz que composições antigas do Mestre Ambrósio de sua autoria podem reaparecer em algum momento no seu repertório, embora atualmente não haja nenhuma em vista. Por fim, aproveita para esclarecer de uma vez por todas que o fim da banda aconteceu independentemente de sua vontade.
"Apesar de eu ser creditado como o primeiro que saiu da banda pra fazer a Fuloresta, eu fui um dos poucos que não saí da banda, na verdade. A Fuloresta foi um projeto para o qual eu me preparei por anos, inclusive preparei a banda pra ele. A gente tinha uma proposta em comum de parar por seis meses para isso e para todo mundo também fazer as suas próprias coisas. Sendo que eu acho que o nível de conflito de interesse já tava bem alto em termos de interesse profissional e de carreira, de modo de ver o desenvolvimento da coisa. Com essa parada foram saindo um, dois, três. Na hora que saiu o terceiro a parada ficou por tempo indefinido. Nesse tempo indefinido eu acho que já se passou tempo demais e praticamente hoje eu acho muito difícil voltar a banda. Não existe um fim decretado, mas ao mesmo tempo eu acho muito pouco provável uma volta. Se na época que a banda tinha 12 anos de batalha e tinha, digamos assim, uma inércia positiva que possibilitava que a gente parasse por um tempo para depois retomar, porque tinha um público e tinha toda uma imagem, uma presença e tal, não aconteceu, hoje, depois de tantos anos, é um tamanho de esforço dentro de um contexto que é muito diferente. Cada um está em uma cidade diferente fazendo suas coisas, então eu acho que o que a gente tinha pra dizer tinha que ter continuado naquela época", encerra.
Na verdade, o Mestre Ambrósio segue vivo na trajetória peculiar que Siba vem traçando ao longo de seus quase 20 anos de carreira. A proposta híbrida de combinar elementos regionais e universais já estava presente no trabalho da banda e veio - e vem - se expandindo cada vez mais em sua caminhada. Siba é um nome que nunca vem sozinho, está sempre junto de outros artistas importantes, de personalidade própria. Pode estar em parcerias com a paulistana Céu ("Nascente") ou com os conterrâneos Lucio Maia e Dengue ("Alados"), em projetos coletivos de sabor regional, como a própria Fuloresta, e de matizes latinas, como em América Contemporânea. Ou simplesmente indefiníveis, como a dupla com Roberto Corrêa e a futura banda com Catatau. Toda vez que ele dá um passo o mundo sai do lugar - e a música se expande para além do reconhecido e do imediatamente reconhecível, constituindo uma das obras mais sólidas, belas e relevantes de toda uma excepcional geração.
Agradecimento a Socorro Macedo e Le Fil Comunicacao Digital.
Na verdade, o Mestre Ambrósio segue vivo na trajetória peculiar que Siba vem traçando ao longo de seus quase 20 anos de carreira. A proposta híbrida de combinar elementos regionais e universais já estava presente no trabalho da banda e veio - e vem - se expandindo cada vez mais em sua caminhada. Siba é um nome que nunca vem sozinho, está sempre junto de outros artistas importantes, de personalidade própria. Pode estar em parcerias com a paulistana Céu ("Nascente") ou com os conterrâneos Lucio Maia e Dengue ("Alados"), em projetos coletivos de sabor regional, como a própria Fuloresta, e de matizes latinas, como em América Contemporânea. Ou simplesmente indefiníveis, como a dupla com Roberto Corrêa e a futura banda com Catatau. Toda vez que ele dá um passo o mundo sai do lugar - e a música se expande para além do reconhecido e do imediatamente reconhecível, constituindo uma das obras mais sólidas, belas e relevantes de toda uma excepcional geração.
Agradecimento a Socorro Macedo e Le Fil Comunicacao Digital.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
O Samba Quadrado (e transcendental) de Rodrigo Maranhão
Crianças brincam na calçada de uma pequena travessa do Horto, bairro contíguo ao Jardim Botânico na zona sul do Rio, em frente a um conjunto de casas geminadas. Neste clima interiorano, por trás da fachada ensolarada e colorida de uma delas, Rodrigo Maranhão grava o seu segundo disco, Samba Quadrado - título de uma de suas doze faixas -, cujo lançamento deve acontecer em janeiro de 2010, segundo o próprio compositor, via MP,B Produções.
Naquela tarde em fins de outubro em que visitei o estúdio, o próprio Maranhão abriu a porta. Encontrava-se na cozinha servindo água para os músicos e técnicos. Deda tinha acabado de gravar flautas de pife na faixa "Sonho", uma das composições mais recentes da lavra de Maranhão, escolhida para abrir o show de transição entre o primeiro e o segundo disco apresentado no CCBB do Rio alguns dias antes. Ao vivo, a canção chamou atenção pela poética elaborada, cada palavra dando sentido claro aos versos, manifesto de um eu lírico a um só tempo ensimesmado e aberto ao mundo, expressando a personalidade do indivíduo por trás do compositor.
A música é brasileira, porém, cada vez mais e como sempre, nascida de um Brasil inominável, de confluências e miscigenações pouco ou nunca experimentadas. São evidentes certos traços nordestinos desenhados pelo acordeon de Marcelo Caldi e pelo ritmo percussivo. Este, ao mesmo tempo, não nega algum grau de parentesco, ainda que indefinido, com a bateria do Banga, mais ainda quando Maranhão incorpora o mestre de bateria ao lado da mesa de som para determinar o encaixe perfeito da flauta de pife, elemento novo na sonoridade "maranhense", componente ancestral que remete à ascendência indígena do Brasil pré-colonial.
Certos compositores são indissociáveis de suas origens e é quase sempre inevitável associá-los a elas: Dorival Caymmi e sua indolência baiana; Noel Rosa e a malandragem carioca; Luiz Gonzaga e a perseverança do sertanejo; Outros, a grande maioria, são capazes de transitar por gêneros diversos da tradição brasileira, seja com reverência ou ironia, mantendo imóveis as fronteiras que os separam ou fundindo-os com novidades externas, como o rock e a eletrônica. A música de Rodrigo Maranhão elimina categorizações e inaugura uma "música brasileira" que se basta com estas duas palavras por definição. Caberia o popular a uni-las, mas seria mais apropriado o universal.
Samba Quadrado trará a também recente "Quase um Fado", composta sob inspiração do português Antonio Zambujo, a quem Maranhão assistiu no começo deste ano, em um show no teatro Tom Jobim, no Jardim Botânico vizinho do estúdio em que agora grava o novo disco. "Quase um Fado" porque o compositor-narrador assume-se um navegador solitário que carrega "no peito o segredo dos mares por navegar", solto no Oceano Atlântico, a meio caminho entre Brasil e Portugal. Não chega a ser um fado pronto e acabado, ou, antes, trata-se de um fado brasileiro. "Trago no peito o segredo dos mares que desafio", canta Maranhão em outro verso. Não satisfeito apenas com a fagulha inspiradora, Maranhão convidou Zambujo para fazer uma participação na faixa, prontamente aceita, mas que, àquela altura, ainda não tinha sido gravada.
Depois do pequeno intervalo para refrescar a garganta na pequena cozinha localizada logo na entrada, ante-sala para a vasta sala de gravação, com seu pé direito alto, alguns instrumentos dispostos pelos cantos e o microfone de gravação montado bem no centro, Deda se posiciona, agora com a flauta-baixo em punho. Maranhão e Zé Nogueira, que assina a produção do disco, sobem as escadas até a mesa de som, onde Duda, o técnico de gravação os aguarda com a próxima música a ser trabalhada no ponto.
Dado o play, violão dedilhado marca o ritmo da introdução de "Camaleão". A princípio, a flauta-baixo só entra no segundo compasso, Deda vai improvisando frases melódicas aleatoriamente. Como não domina a harmonia, toca livremente seguindo as sugestões de Zé Nogueira. Enquanto não aprova o que ouve, Maranhão se mostra tanquilo, sentado no sofá atrás da mesa de som, de onde não consegue vê-la tocando. À medida que Deda se aproxima de uma frase que lhe agrada, vai ficando agitado. "É isso, ficou bonito, assim", comenta. Zé Nogueira, porém, ainda não se dá por satisfeito. Concorda que foi bom, mas acredita que ainda pode ficar melhor. Alguns takes depois, os dois se dão por satisfeitos e resolvem seguir adiante.
Não haverá flauta sobre a voz. Entre as duas partes cantadas, há espaço para um solo. De início, Maranhão e Zé Nogueira dão liberdade total para Deda improvisar. A cada take obtem-se um resultado diferente. Zé parece gostar do caminho que a flauta vai tomando, falta apenas adequá-la ao tempo da harmonia, pois o final do solo está invadindo a volta da voz. Maranhão não aprova, argumentando que o solo está muito "jazzístico" e que prefere os primeiros takes, com menos floreios. O comentário traduz a essência da música de Maranhão: harmonias relativamente simples sobre as quais se desenham melodias de beleza insólita e desconcertante.
Na tentativa de guiar a execução, Zé Nogueira faz com que Deda fica confusa e aquilo que em algum momento soou bem a ela se perde em tentativas de verbalização. É aí que Maranhão vem com a ideia que define a questão: "E se ela fizer o solo seguindo a melodia vocal?", sugere. E foi assim que se resolveu o solo de "Camaleão", não sem muitas idas e vindas de Zé Nogueira e Maranhão, da sala de controle à sala de gravação, entre solfejos e demonstrações da harmonia no violão.
No fim, mais relaxada, Deda deu sua maior contribuição à faixa, extraindo notas percussivas da flauta, ritmadas pelo vigor do sopro. Maranhão e Zé Nogueira gostam tanto que pedem para ela repetir o expediente também na introdução.
Enquanto Bordado (2007) foi quase um disco caseiro, de voz, violão e a participação de seus parceiros de Bangalafumenga nos ritmos, Samba Quadrado conta com uma estrutura profissional e a participação de instrumentistas importantes da cena musical carioca. A banda base conta com Marcelo Caldi no acordeon e teclados; Pretinho da Serrinha na percussão; e Nando Duarte no violão de 7 cordas, além do violão do próprio Maranhão. Entre as participações especiais, há o percussionista Marcos Suzano, a dupla Zé da Velha e Silvério Pontes, o guitarrista Ricardo Silveira e até um conjunto de cordas na faixa-título. "É quase uma super-produção", define Maranhão ao compará-lo com o primeiro.
Além das quatro músicas citadas anteriormente, Samba Quadrado traz ainda "Três Marias" e "Maria Sem Vergonha", ambas dos tempos de Mafuá, grupo de compositores formado na UniRio que abrigava Edu Krieger, Raphael Gemal, Rubinho Jacobina, Pedro Holanda e Carlos Pontual; e "Samba pra Vadiar", que há tempos vem sendo apresentada em shows e saiu no disco coletivo "Mar Ipanema", lançado no fim do ano passado.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Jam da Silva e Luisa Maita juntos em faixa de DJ francês
O DJ Kayalik do grupo francês Massilia Sound System queria uma voz em português para cantar em uma faixa de seu projeto solo de dancehall. Mandou as bases para Jam da Silva, aqui no Brasil, que compôs uma letra em português e convidou Luisa Maita para colocar a voz. A cantora ainda contribuiu com a melodia da canção, que está pronta e será lançada em um single no mercado francês, ainda sem data definida. O resultado ficou tão bom e agradou tanto aos envolvidos que é possível que uma segunda parceria entre os três acabe por se concretizar muito em breve.
Kaialik, Jam e Luisa em fotomontagem
Kaialik, Jam e Luisa em fotomontagem
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